
O TRF-4 optou pelo afastamento do juiz da Operação Lava Jato, Eduardo Appio.
A decisão foi tomada após perícia afirmar que foi o magistrado que fez uma ligação, com ID não identificado, ao filho do desembargador Marcelo Malluceli.
O advogado João Eduardo Malucelli, no momento, teve a iniciativa e gravou um vídeo do momento em que recebeu a chamada. Pare ele, o tom foi ameaçador.
Importante destacar que João Eduardo é sócio de Sergio Moro, senador e ex-juiz da Lava Jato, nome criticado no trote.
O procedimento estava sob sigilo. Após a decisão pelo afastamento de Appio, o TRF-4 decidiu dar publicidade ao caso, que está sob relatoria do corregedor regional, desembargador Cândido Alfredo Silva Leal Júnior. O juiz terá 15 dias para apresentar defesa prévia.
Os desembargadores ainda determinaram que Appio devolva aparelhos eletrônicos por ele usados – desktop, notebook e celular funcionais. Os equipamentos ficarão acautelados com a Corte. O TRF-4 ressaltou a necessidade de adotar os “devidos protocolos de cadeia de custódia de eventuais indícios e provas”.
Após a decisão vir a público, um dos principais desafetos de Appio, o deputado cassado Deltan Dallagnol, chamou o magistrado afastado de juiz militante. Em tuíte, o ex-procurador da República fez referência ao fato de o magistrado ter usado a expressão “LUL22” como sigla de acesso aos sistemas da Justiça Federal no Paraná.
Mais cedo, Appio disse que usou a sigla como uma forma de “protesto isolado contra uma prisão que considerava ilegal”. O magistrado argumenta que, à época em que usava tal identificação, trabalhava com direito previdenciário e o hoje presidente estava detido na Lava Jato.
O afastamento foi divulgado horas após o magistrado afirmar ter admiração por Lula. O magistrado disse que o presidente “é uma figura histórica, muito importante para o País”. Frisou, no entanto, que tal “admiração” “não interfere em nada em suas decisões”.
Eduardo Appio assumiu como titular 13ª Vara Federal de Curitiba em fevereiro, após o juiz Luiz Antônio Bonat ser promovido a desembargador do TRF-4. Bonat inclusive participou do julgamento que culminou no afastamento de Appio – seu nome consta como suplente na certidão de julgamento da Corte Especial Administrativa da Corte regional.
A cadeira da qual o juiz agora foi afastado foi ocupada pelo ex-juiz Sérgio Moro, hoje senador, no auge da Lava Jato. Desde que assumiu o juízo base da Operação, Appio tomou uma série de medidas que inquietam a antiga força-tarefa, como o resgate do capítulo Tacla Duran, ex-operador financeiro da Odebrecht que acusa Moro e Deltan Dallagnol. Algumas decisões inclusive geraram confrontos diretos com os artífices da Lava Jato.
Com informações adicionais da Agência Estado
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