
O presidente do Banco Central, Campos Neto, recebeu nesta segunda-feira, 29, o Prêmio Inovação do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF Ceará) . Em seu rol de ações para a devida homenagem, está a implementação da tecnologia que faz sucesso entre os brasileiros (em detrimento aos já ultrapassados e retrógrados TED e DOC): o Pix.
Com um discurso polido, falou das práticas econômicas, inovações que o BC adotou e vai adotar no futuro, medidas para evitar que o País se descontrolasse e a inadimplência voltasse à estratosfera. Foi ouvido atentamente por uma plateia formada por economistas, empresários, parlamentares e ex-parlamentares.
O neto do lendário Roberto Campos passou longe do debate sobre política econômica. Preferiu fazer uma fala em cima de burocráticas tabelas e fugiu de qualquer polêmica relacionada aos juros no Brasil.
A queda de braço com Lula, que vira e mexe entram no palco dos noticiários, também passou longe. Sem críticas ou rebate das declarações recentes sobre uma possível “demissão” da presidência do BC ou da diminuição da taxa de juros.
O petista, que solta petardos abertamente contra Campos Neto, é seguramente apoiado por seus correligionários no Ceará. O governador Elmano de Freitas não compareceu ao evento. Mais cedo, rumou para a inauguração de um conjunto habitacional módulo V do Residencial Cidade Jardim, no bairro José Walter, ao lado do ministro das Cidades, Jader Filho (MDB). Como representante do Governo, foi enviado um membro do segundo escalão da Sefaz.
O prefeito José Sarto foi outro que nem sequer deu as caras. Quem também passou longe: deputados Evandro Leitão (presidente da Assembleia Legislativa do Ceará) e Eunício Oliveira. Todos, mais cedo, também participaram da inauguração das unidades habitacionais.
Esse fato reflete o incômodo da base aliada com a independência do Banco Central.
Tasso e Capitão Wagner engrossam coro
Por outro lado, lideranças políticas do presente e do passado que compareceram ao evento: Tasso Jereissati (sem mandato), Danilo Forte (União), Luiz Gastão (PSD), Élcio Batista (vice-prefeito de Fortaleza e hoje filiado ao PSDB).
As críticas mais incisivas às “pressões” do Governo Lula foram justamente de Tasso e CW. “Se não fosse a coragem, a resistência desse homem, nós hoje estaríamos no descontrole inflacionário que poderia causar inclusive a desestabilização institucional desse País”, disse o ex-senador tucano. O Focus gravou vídeo do momento exato:
já secretário da Saúde de Maracanaú, Capitão Wagner, falou dos efeitos devastadores que o mercado pode sentir com as maquinações de Lula.
“É um risco muito grande a pressão do Governo em relação ao Banco Central. Nós conquistamos a duras penas essa independência do BC. Qualquer tipo de pressão pode gerar o efeito contrário. O mercado deu uma demonstração nesse quadrimestre que o Brasil está deixando de ser alvo de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. É algo que nos preocupa. Qualquer tipo de interferência ou ingerência não é bem-vinda para o mercado e para o País”, destacou CW em entrevista ao Focus.
Moeda digital
Durante a palestra, o presidente do BC quer que a instituição siga é para o desenvolvimento de uma moeda digital – assim como o Bitcoin. “A moeda digital vai fazer com que o custo de intermediação financeira caia”, destaca.
Segundo ele, a divisa terá um contrato digital e esperará um código número. “Na hora que o código numérico encaixar no contrato, ele gera a execução (do contrato). Aquela execução gera um registro automático, que pode ser divisível. A questão de colateral (dano) vai ser muito menor. Você pode fazer isso e reduzir a questão da gestão. Hoje gastamos uma fortuna com cartório”, ressalta.
A nova modalidade não servirá para fazer pagamento, mas sim um contrato e um registro digitais. “Isso vai simplificar muito a vida das pessoas. Hoje existe uma fricção entre registro e contrato que é difícil, custoso e gera incerteza na negociação”, pontou.







