
A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,6 bilhões, resultado 7,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar da queda, a estatal anunciou a distribuição de R$ 9,3 bilhões em dividendos aos acionistas, com pagamentos previstos para agosto e setembro.
Segundo a companhia, os números ainda não refletem integralmente os impactos da disparada internacional do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, especialmente após o conflito envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Hormuz.
Produção recorde: A Petrobras registrou produção recorde de petróleo e gás no trimestre, alcançando 3,2 milhões de barris por dia, alta de 16% na comparação anual. Desse total, 2,5 milhões de barris correspondem apenas à produção de petróleo.
A estatal também bateu recorde na fabricação de diesel S-10, com média de 512 mil barris diários. A estratégia da companhia tem priorizado o refino nacional para reduzir a dependência de importações em meio à escalada global dos combustíveis.
O fator de utilização das refinarias chegou a 95% no trimestre e superou 97% em março, maior nível desde 2014. Com isso, as importações de diesel caíram 26% no período.
Guerra no Oriente Médio e impacto nas receitas: Apesar do aumento recente das cotações internacionais, a Petrobras afirma que o efeito positivo da alta do petróleo ainda não apareceu integralmente no balanço do primeiro trimestre.
Isso ocorre porque existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita, que só acontece quando a carga chega ao destino final. Segundo a empresa, os reflexos mais intensos da guerra devem aparecer apenas nos resultados do segundo trimestre.
A cotação média do Brent ficou em US$ 80,6 por barril entre janeiro e março, avanço de 6,5% frente ao mesmo período de 2025. Após o agravamento do conflito no Oriente Médio, porém, o barril ultrapassou os US$ 100 e chegou ao pico de US$ 118 no fim de abril.
Receita fica estável e Ebitda vem abaixo do esperado: A receita líquida da companhia somou R$ 123,7 bilhões no trimestre, praticamente estável em relação ao ano anterior. Já o Ebitda — indicador usado para medir geração operacional de caixa — ficou em R$ 61,7 bilhões, abaixo das projeções do mercado financeiro.
De acordo com a empresa, se forem desconsiderados efeitos extraordinários, como a valorização do real frente ao dólar, o lucro ajustado teria sido de R$ 23,8 bilhões, em linha com os resultados operacionais observados no início de 2025.
Investimentos: Os investimentos da Petrobras totalizaram US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 25,6% sobre igual período do ano anterior. A área de exploração e produção concentrou 87% dos aportes realizados pela companhia.
A dívida bruta da estatal fechou março em US$ 72,1 bilhões, avanço de 2% frente ao encerramento de 2025, refletindo novas captações feitas ao longo do trimestre.
Governo amplia subsídios para combustíveis: Em meio à disparada internacional do diesel e do querosene de aviação (QAV), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou medidas para tentar reduzir o impacto dos preços sobre consumidores e empresas.
Entre as ações estão a zeragem de impostos federais sobre combustíveis e programas emergenciais de subsídio ao diesel, com participação de estados e da própria Petrobras.






