
Levantamento nacional divulgado pela AtlasIntel mostra deterioração da avaliação do presidente Donald Trump e avanço da percepção negativa sobre a economia americana. A pesquisa, realizada entre os dias 4 e 7 de maio de 2026 com 2.069 entrevistados, aponta que 59,8% desaprovam o desempenho do republicano na Presidência, contra 39,5% que aprovam. 
A avaliação qualitativa do governo também é majoritariamente negativa: 60% classificam a gestão como “ruim” ou “muito ruim”, enquanto 37,2% consideram o desempenho “bom” ou “excelente”.
Os números surgem em meio ao aumento das preocupações econômicas. A inflação e o custo de vida aparecem como o principal problema do país para 48,6% dos entrevistados, seguidos por economia e mercado de trabalho (41,1%) e defesa da democracia (38,3%).

A percepção econômica também se deteriorou. Para 59% dos entrevistados, a economia americana está ruim, enquanto 61% avaliam negativamente o mercado de trabalho.  Além disso, 62,8% afirmam que as políticas econômicas de Trump pioraram a economia dos EUA.
No cenário eleitoral, os democratas aparecem em vantagem para as eleições de meio de mandato da Câmara dos Representantes: 54,6% dizem que votariam em um candidato democrata, contra 40,1% que escolheriam um republicano.
A pesquisa também mostra desgaste da imagem pessoal de Trump. O presidente tem imagem negativa para 60% dos americanos e positiva para 40%. Entre os políticos testados, Barack Obama lidera em percepção positiva, com 52% de avaliações favoráveis.

No Partido Democrata, Alexandria Ocasio-Cortez lidera a preferência para uma eventual disputa presidencial em 2028 entre eleitores democratas, com 26%, seguida por Pete Buttigieg (22,4%) e Gavin Newsom (21,2%).  Entre os republicanos, Marco Rubio aparece na frente com 45,4%, à frente de J.D. Vance, que registra 29,6%.
O levantamento utilizou a metodologia Atlas RDR (Random Digital Recruitment), com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Análise dos números
Os dados da AtlasIntel indicam um ambiente político cada vez mais desfavorável para Donald Trump em seu segundo mandato. A taxa de desaprovação próxima de 60% é especialmente significativa porque rompe uma barreira simbólica importante na política americana: quando um presidente ultrapassa esse patamar, normalmente enfrenta dificuldades crescentes para aprovar agenda, manter coesão partidária e sustentar competitividade eleitoral.
O principal eixo do desgaste é econômico. A inflação voltou ao centro das preocupações nacionais e praticamente metade dos entrevistados aponta o custo de vida como o maior problema do país. Isso tem peso decisivo na política dos Estados Unidos porque eleições americanas costumam ser fortemente influenciadas pela percepção econômica cotidiana — preços de supermercado, combustível, energia e moradia.
A pesquisa revela um dado particularmente delicado para Trump: mesmo temas historicamente favoráveis aos republicanos, como economia e empregos, deixaram de produzir vantagem clara. Embora o presidente mantenha desempenho relativamente melhor em imigração e defesa, a percepção negativa domina áreas centrais como economia, democracia, saúde e dívida pública.
Outro elemento relevante é a vantagem democrata de 14,5 pontos na disputa genérica para a Câmara. Em eleições de meio de mandato, esse indicador costuma funcionar como termômetro nacional do humor do eleitorado. Se mantido até 2026, poderia representar risco real para a maioria republicana no Congresso.
Há ainda um aspecto estrutural importante: a pesquisa mostra desgaste não apenas do governo, mas também da marca política trumpista. A imagem negativa do presidente alcança 60%, enquanto figuras democratas como Barack Obama e Michelle Obama mantêm saldo positivo. Isso sugere que parte do eleitorado independente pode estar migrando novamente para posições anti-Trump.
Dentro dos partidos, os números também apontam rearranjos internos. No campo democrata, a liderança de Alexandria Ocasio-Cortez evidencia o fortalecimento da ala progressista, enquanto Gavin Newsom e Pete Buttigieg consolidam espaço nacional. Entre os republicanos, Marco Rubio surge como alternativa mais competitiva para o pós-Trump, superando J.D. Vance com margem significativa.
O levantamento também revela forte polarização social. Para 73% dos entrevistados, existe conflito intenso entre apoiadores de partidos diferentes. Esse dado ajuda a explicar por que, mesmo com desaprovação elevada, Trump ainda preserva uma base eleitoral sólida próxima de 40%.
No conjunto, a AtlasIntel mostra um país economicamente inseguro, socialmente polarizado e politicamente cansado do confronto permanente. O cenário favorece os democratas no curto prazo, mas ainda não aponta necessariamente estabilidade para o partido, que também enfrenta questionamentos internos sobre liderança, identidade e capacidade de oposição eficaz.







