
O fato: O governo brasileiro intensificou as articulações para ampliar as exportações de petróleo ao Japão em meio aos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás.
A negociação é conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores e conta com participação da Petrobras. Durante missão oficial a Tóquio, em maio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve acompanhado de um executivo da estatal para avançar nas tratativas com autoridades japonesas.
O tema foi discutido em reunião com o ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa. Segundo informações divulgadas pelo governo japonês, os encontros tiveram como foco o fortalecimento da cooperação econômica entre os dois países, especialmente nas áreas de energia e recursos naturais.
A movimentação ocorre em um momento de forte pressão sobre o abastecimento energético japonês. Atualmente, cerca de 90% do petróleo importado pelo país passa pelo Estreito de Hormuz, rota afetada pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Além disso, aproximadamente 96% do petróleo bruto consumido pelo Japão tem origem no Oriente Médio.
Com a interrupção parcial do fluxo de petróleo na região, o Japão registrou forte redução nas importações. Em abril, as compras externas da commodity caíram cerca de 61% em relação a março e recuaram aproximadamente 66% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A queda no abastecimento pressionou os preços dos combustíveis no mercado japonês, levando o governo local a adotar medidas emergenciais, incluindo subsídios para diesel, gasolina, querosene e óleo combustível.
Negociações também envolvem Índia e Coreia do Sul: A estratégia brasileira de ampliar mercados para o petróleo nacional não se limita ao Japão. Em março, durante encontros preparatórios para a cúpula do G7, autoridades da Índia e da Coreia do Sul também manifestaram interesse em negociar a compra de petróleo brasileiro.
Segundo o Itamaraty, o cenário internacional abriu espaço para que o Brasil amplie sua participação no mercado asiático de energia, aproveitando a busca de países da região por fornecedores alternativos diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores do Oriente Médio.
Oportunidade para exportações brasileiras: O aumento da demanda asiática por petróleo ocorre em um contexto de valorização internacional da commodity. O fechamento do Estreito de Hormuz elevou os preços do barril e ampliou a preocupação com a segurança energética global, especialmente em países altamente dependentes das importações da região.
Com informações da Folhapress






