
O professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), vice-diretor da Faculdade de Direito e secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico de Caucaia, Machidovel Trigueiro Filho, participará do DES 2026 (Digital Enterprise Show) com tese sobre tema estratégico relacionado à soberania digital. O evento na Espanha é considerado um dos principais encontros europeus sobre inteligência artificial, tecnologias exponenciais e transformação digital.
O evento será realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Málaga, na Espanha, reunindo lideranças empresariais, pesquisadores, governos e empresas de tecnologia de diversos países. Machidovel integrará uma mesa de debates e lançará a edição em espanhol do livro Tratado de Energía, Conectividad y Datos, obra que reúne os fundamentos da tese com a qual conquistou a titularidade na UFC em maio deste ano.
Ceará no debate global
A participação ocorre em um momento de crescente protagonismo do Ceará na economia digital. O estado concentra importantes ativos estratégicos, como cabos submarinos internacionais, expansão das energias renováveis, infraestrutura portuária e projetos voltados para data centers e inteligência artificial.
Segundo o professor, a inteligência artificial depende de uma base física e institucional que vai muito além dos algoritmos.
“A inteligência artificial não nasce no vazio. Ela depende de energia, conectividade, centros de dados, segurança jurídica e capacidade institucional. Levar essa discussão a Málaga é mostrar que o Ceará, a UFC e Caucaia participam do debate global não como meros consumidores de tecnologia, mas como produtores de pensamento, infraestrutura e estratégia para a nova economia dos dados”, afirma.
A tese da soberania infraestrutural
O conceito desenvolvido por Machidovel propõe a criação da chamada “soberania infraestrutural” como uma nova categoria jurídica para a ordem digital contemporânea. A ideia parte da compreensão de que energia, conectividade e dados formam uma única estrutura estratégica para o desenvolvimento econômico e tecnológico das nações.
Na avaliação do pesquisador, a soberania digital não significa isolamento tecnológico, mas capacidade de negociar interdependências globais preservando autonomia decisória, resiliência e geração local de benefícios. O modelo tem como uma de suas referências práticas o corredor digital formado por Caucaia, Complexo do Pecém e Fortaleza, considerado uma das áreas mais estratégicas do país para infraestrutura de dados.
“Energia, conectividade e dados formam a tríade material da economia digital contemporânea. Sem essa infraestrutura não há inteligência artificial competitiva, não há cidade inteligente consistente e não há soberania infraestrutural possível”, sustenta.
Congresso reúne líderes mundiais
Em sua décima edição, o Digital Enterprise Show 2026 deverá reunir mais de 400 empresas de tecnologia e apresentar centenas de soluções em inteligência artificial, cibersegurança, computação em nuvem, internet das coisas, computação quântica e transformação digital. A programação prevê mais de 500 palestrantes internacionais e público superior a 15 mil executivos e tomadores de decisão.
Autorização oficial
A participação do professor foi autorizada pela Reitoria da UFC por meio da Portaria nº 2.469/GABR/UFC, publicada no Diário Oficial da União em 3 de junho. O afastamento ocorrerá entre os dias 8 e 12 de junho para participação no congresso e no lançamento da obra.
O foco
A presença de um pesquisador cearense em um dos maiores fóruns globais de tecnologia reforça o posicionamento do Ceará como território estratégico para a nova economia digital. Mais do que discutir inteligência artificial, o debate conduzido por Machidovel coloca em evidência um tema cada vez mais central para governos e empresas: quem controla a infraestrutura que sustenta os dados, a conectividade e o processamento da informação no século XXI.






