
Por que importa: Ciro Gomes construiu sua competitividade justamente por ocupar um espaço mais amplo que o bolsonarismo. O levantamento mostra o tucano tecnicamente empatado com Elmano de Freitas no primeiro turno (45,8% a 44,8%) e abrindo vantagem no segundo turno, com 53,2% contra 44,9%.
Mais relevante: a pesquisa identificou que cerca de três em cada quatro eleitores de Jair Bolsonaro no Ceará declaram voto em Ciro para governador. Ou seja, o ex-ministro já capturou grande parte do eleitorado conservador sem precisar se associar formalmente ao projeto presidencial do PL.
Nos bastidores, a avaliação tucana é simples: aparecer ao lado de Flávio Bolsonaro pode ajudar pouco na conquista de votos à direita, mas criar dificuldades no centro político, segmento decisivo para a vitória sobre Elmano. A candidatura de Ciro cresce justamente por reunir eleitores bolsonaristas, antipetistas e moderados em torno de uma pauta estadual.
Entre linhas: para o PSDB, Flávio agrega pouco ao eleitor que Ciro ainda precisa conquistar e pode afastar parte dos que já aderiram à sua candidatura. É por isso que os tucanos apoiam Alcides Fernandes para o Senado, mas evitam transformar a eleição cearense em um braço da disputa presidencial.






