
A edição desta semana da tradicional seção Páginas Amarelas, da revista VEJA, traz uma longa entrevista com o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, conduzida pelo jornalista Nicholas Shores. Em tom contundente, Ciro explica por que desistiu da corrida presidencial para disputar novamente o Governo do Ceará, faz duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, comenta a crise fiscal do país, o avanço das facções criminosas e o cenário político cearense para 2026.
O título da entrevista já diz muito e indica as implicaçõs políticas, inclusive na disputa pelo Governo do Ceará: “Os dois são iguais”, diz Ciro Gomes sobre Lula e Bolsonaro”. O subtítulo: Ex-ministro conta por que decidiu optar pela disputa estadual, descarta apoio ao filho do ex-presidente e diz que vai libertar do Ceará do PT.
Focus Poder faz para noso leitor um resumo em tópicos
🎯 Disputa pelo Governo do Ceará
- Ciro afirma que recusou disputar a Presidência pela quinta vez para tentar voltar ao Governo do Ceará.
- Diz que sua prioridade será a segurança pública e o combate às facções criminosas.
- Sustenta que pretende “libertar o Ceará da tragédia que o PT hoje representa em segurança pública, desenvolvimento e saúde”.
🤝 Aliança com o PL e relação com Flávio Bolsonaro
- Defende a aliança regional com o PL no Ceará, mas descarta qualquer aproximação nacional.
- Frase central:
“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável.”
- Rejeita apoiar o senador Flávio Bolsonaro:
“Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão.”
⚖️ Lula e Bolsonaro
- Faz uma das declarações mais contundentes da entrevista ao equiparar os dois principais polos da política nacional:
“Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais.”
- Afirma que ambos mantiveram políticas econômicas semelhantes e alimentaram a polarização política.
🚨 Tentativa de golpe e 8 de Janeiro
- Considera que houve tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Sem dúvida.”
- Entretanto, diferencia a articulação golpista dos atos de 8 de janeiro:
“Aquilo para mim foi uma imensa arruaça. Punível. Mas golpe? Não.”
- Avalia que as penas aplicadas a participantes dos atos foram excessivas.
📉 Críticas ao governo Lula
- Afirma que o “estelionato eleitoral” que previu em 2022 continua em curso.
- Critica o arcabouço fiscal, os gastos públicos e programas do governo.
- Frase-resumo:
“A entrega do Lula é nula.”
- Também questiona a idade do presidente para disputar nova eleição:
“As pessoas que querem bem ao Lula deveriam considerar uma temeridade ele se lançar candidato com 81 anos.”
💰 Escândalo do INSS
- Classifica as fraudes envolvendo aposentados como:
“Um dos escândalos mais enojantes que já testemunhei.”
- Afirma que tanto PT quanto bolsonaristas têm responsabilidade:
“O PT não tem moralidade nem decência nenhuma. O outro lado também não.”
🏛️ Carlos Lupi
- Isenta parcialmente o ex-ministro e presidente do PDT.
- Diz que alertou Lupi sobre os riscos da Previdência:
“O Lula fez de propósito.”
🔫 Facções criminosas
- Discorda da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como grupos terroristas, mas reconhece utilidade prática da medida.
- Define as facções como:
“Poderosíssimas organizações narcoterroristas.”
- Considera que a classificação americana pode ajudar a rastrear dinheiro e operações internacionais.
🇺🇸 Cooperação internacional
- Pretende buscar apoio tecnológico dos Estados Unidos para inteligência policial.
“Vou criar comandos. Um comando terá tecnologia dos Estados Unidos.”
- Também menciona interesse em cooperação com Israel na área de segurança.
🇧🇷 Desistência da Presidência
- Revela desencanto com a política nacional.
- Afirma que antes acreditava ter soluções para o país.
“Agora, estou seguro de que não tem jeito.”
- Aponta dívida pública, juros elevados, inadimplência e baixo crescimento como fatores centrais da crise.
🌵 Ceará e desgaste do PT
- Avalia que o PT enfrenta desgaste após mais de uma década no poder estadual.
“Existe uma fadiga de material muito grande.”
- Afirma que programas sociais já não produzem o mesmo efeito eleitoral.
- Faz acusações de influência de facções na política local e cita investigações em curso.
A frase da entrevista
“Os ocupantes do poder mudam, mas os problemas permanecem. Lula e Bolsonaro representam versões diferentes do mesmo modelo que levou o Brasil ao impasse atual.”
Essa é a síntese política que atravessa toda a entrevista: Ciro busca se apresentar como alternativa simultânea ao lulismo e ao bolsonarismo, enquanto concentra sua campanha na disputa pelo Governo do Ceará.





