Indicado por Bolsonaro ao STF, presidente do TSE alerta que discurso de ódio ameaça a democracia

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Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Por que isso importa:
Em um momento de crescente polarização política e debates sobre os limites da liberdade de expressão, a manifestação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral reforça o entendimento de que o combate à intolerância e à discriminação é condição para a preservação do ambiente democrático.

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2020, afirmou nesta quinta-feira (18) que o discurso de ódio é incompatível com os valores democráticos e representa uma ameaça à participação cidadã e à convivência em sociedade.

Ao abrir a sessão plenária do TSE, em referência ao Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o magistrado ressaltou que a Justiça Eleitoral brasileira permanece comprometida com a realização de eleições livres, seguras e inclusivas.

“A divergência de ideias é legítima e necessária, mas não pode ser confundida com ataques à honra, práticas discriminatórias ou tentativas de desumanizar adversários políticos. Quando a intolerância ocupa o espaço do debate, restringe-se a participação cidadã e aumenta-se o risco de violência política”, afirmou.

Liberdade de expressão exige responsabilidade

Segundo Kassio Nunes Marques, o combate ao discurso de ódio é um dos desafios contemporâneos das democracias e demanda atenção especial em relação a grupos vulneráveis.

“A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas deve ser exercida com responsabilidade e respeito aos direitos de todos. Combater o discurso de ódio é proteger a democracia, fortalecer o diálogo e garantir que cada cidadã e cada cidadão possam participar da vida pública sem medo, discriminação ou intimidação”, destacou.

A data foi criada pela Assembleia Geral da ONU em 2021 para promover a paz, a tolerância e o respeito à diversidade, além de condenar manifestações de hostilidade, discriminação e violência.

Primeira sessão de Nauê Bernardo no TSE

Durante a sessão, o presidente da Corte também destacou a participação do ministro substituto Nauê Bernardo Pinheiro de Azevedo em sua primeira sessão plenária.

Empossado em março deste ano na vaga destinada à classe dos juristas, Nauê Bernardo é advogado, cientista político e professor universitário. Possui mestrado em Direito Constitucional pelo IDP e em Direito Privado Europeu pela Università degli Studi Mediterranea di Reggio Calabria e atualmente é doutorando em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB).

Leitura Focus Poder

As declarações de Kassio Nunes Marques chamam atenção por partirem de um ministro indicado por Jair Bolsonaro ao STF em 2020. Em meio às discussões sobre desinformação, violência política e limites da liberdade de expressão, o presidente do TSE reafirmou que o pluralismo democrático pressupõe respeito às diferenças e rejeição a manifestações de ódio e discriminação.

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