A Avine prepara um novo ciclo de expansão. A empresa cearense, uma das maiores produtoras de ovos do Norte e Nordeste, projeta faturamento de R$ 460 milhões em 2026 e planeja investir cerca de R$ 100 milhões nos próximos anos em ampliação da capacidade produtiva, modernização das operações e desenvolvimento de novos produtos.
Por que importa: o movimento ocorre em um momento de forte crescimento do mercado brasileiro de ovos, impulsionado pela mudança dos hábitos de consumo e pela busca dos consumidores por proteínas de menor custo e alto valor nutricional.
Fundada em 1992, a companhia alcançou neste ano a marca de mais de 2 milhões de ovos produzidos diariamente e mantém operações em 12 estados das regiões Norte e Nordeste.
Setor vive ciclo de expansão
A avicultura de postura atravessa um dos momentos mais favoráveis das últimas décadas.
O consumo de ovos no Brasil continua crescendo em ritmo acelerado. Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a média anual deve passar de 263 unidades por habitante em 2024 para aproximadamente 306 ovos em 2026.
O avanço reflete fatores como:
* maior preocupação com alimentação saudável;
* substituição parcial de proteínas mais caras;
* versatilidade do produto;
* ampliação do consumo pela indústria alimentícia e pelo food service.
O resultado é um mercado mais robusto e com espaço para investimentos em novas categorias.
Crescimento baseado em valor agregado
A estratégia da Avine está concentrada na ampliação de produtos com maior valor agregado.
Entre as áreas que receberão investimentos estão:
* ovos enriquecidos com ômega-3 e vitamina E;
* linhas caipiras;
* produção cage-free;
* ovos de codorna;
* ovos pasteurizados destinados à indústria e ao food service.
A empresa também estruturou uma área dedicada ao desenvolvimento de novos produtos.
Segundo o CEO Airton Carneiro Júnior, a diferenciação do portfólio é uma forma de reduzir a dependência da competição baseada exclusivamente em preços.
Investimentos somam R$ 172 milhões
O novo plano de expansão se soma aos investimentos já realizados recentemente.
Nos últimos três anos, a companhia aplicou aproximadamente R$ 72 milhões em expansão, automação e modernização das unidades produtivas.
Agora, outros R$ 100 milhões devem ser destinados a:
* ampliação da capacidade produtiva;
* modernização das granjas;
* automação de processos;
* verticalização das operações;
* sustentabilidade;
* fortalecimento da logística e da eficiência operacional.
Mercado externo entra no radar
A empresa também iniciou um processo de prospecção internacional.
A participação em feiras globais, como a Gulfood, integra a estratégia de abertura de mercados e construção de relacionamentos comerciais fora do Brasil.
A expectativa é ampliar gradualmente a presença internacional dos produtos da companhia nos próximos anos.
Os desafios
Apesar do cenário favorável, o setor ainda enfrenta obstáculos relevantes.
Entre os principais estão:
* volatilidade dos preços do milho e da soja;
* elevada carga tributária sobre equipamentos;
* dificuldade de acesso a crédito competitivo para investimentos produtivos.
Os custos dos insumos continuam sendo um dos fatores que mais influenciam a rentabilidade da atividade.
Os números
* Faturamento em 2025: R$ 428 milhões
* Projeção para 2026: R$ 460 milhões
* Investimentos previstos: R$ 100 milhões
* Investimentos realizados nos últimos três anos: R$ 72 milhões
* Produção diária: mais de 2 milhões de ovos
* Presença comercial: 12 estados
* Empregos diretos e indiretos: cerca de 1.200
Entre linhas
O plano de expansão da Avine acompanha uma tendência observada em todo o setor de proteína animal: a migração para produtos de maior valor agregado, a adoção de novas tecnologias produtivas e a busca por mercados além das fronteiras regionais. O crescimento do consumo de ovos no Brasil cria um ambiente favorável para novos investimentos e amplia o espaço para empresas que apostam em inovação, eficiência e diversificação de portfólio.






