Os riscos que a democracia traz… para a democracia; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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“Já não se fazem conspirações e conspiradores como os de antigamente”. Imagem extraída do site Nexo.

[No Ceará, os conspiradores reuniam-se, em 1964, em secreta conspiração como embarcadiços da “Arca de Noé”]

No Brasil, a “defesa” da democracia, por palavras e falsas intenções, precedem o cerco autoritário da Liberdade.

Foi assim, com o advento do Estado Novo, em 1937, e em 1964 com a coluna de tanques do general Mourão. O aparato militar, sem derramamento de sangue, foi historicamente o modelo das revoluções jurídicas a que assistimos.

A quebra dos controles constitucionais seguem, geralmente, um rito, digamos, a rotina conhecida de manifestos e pronunciamentos militares, arrufos politicos e partidários e a falta crônica de propósitos. Tempos houve que os estudantes formavam ao lado de ideias mais radicais, movidos pelos impulsos generosos da idade ou pela ingenuidade de espectadores de uma categiria da inteligência.

Na Bolívia, contam os cronistas menos ortodoxos, logo pela manhä, ao abrir a janela o revolucionário profissional, explodia de ânimo: “que bela mañana para una revolucion!”.

Hoje, os sintomas de rompimento da ordem democrática trazem o sopro bacharelesco de juízes, em narrativas exaltadas, temperadas de tropos latinos, nos tribunais e fora dos autos — pela mídia ou em tribunas internacionais.

Essas altercações, forradas de endoutrinamento, armam-se aos poucos, sem que a populaça, nós, consiga perceber. Ou entendê-las.

O assédio ao “Estado de direito” tem começo pela multiplicação dos mecanismos de regulação. Em nome de avanços tecnológicos que não conhecem, tampouco entendem o seu funcionamento, os novos democratas fecham o cerco autoritário com as restrições aos excessos de liberdade. A opinião dos outros é o perigo a persignar em nome da democracia ameaçada pelas solertes intenções a silenciar.

No Ceará, nos idos de 1964, as forças “revolucionárias” foram-se organizando com a associação de confidentes, militares e civis, burocratas e jornalistas, recolhidos convenientemente em uma organização secreta que se chamou “Arca de Noé”. “Et pour cause”, diria o meu velho professor de francês, Stenio Lopes, ao deparar-se com situações obviamente previsíveis.

A metáfora da “Arca de Noé” não escondia a variedade ideológica dos embarcadiços que ali se punham a conspirarar em defesa da democracia, justamente aneaçada pela — democracia.

Eram outros aqueles tempos…
Paciência. Já não se fazem conspirações e conspiradores como os de antigamente.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus Poder, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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