
Brasil e Estados Unidos retomaram nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais após a entrada em vigor de novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A sobretaxa de 25% específica para o Brasil começou a valer no fim de julho. Além dela, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 12,5%, sob a alegação de falhas brasileiras no combate ao trabalho forçado. Com isso, determinados produtos passaram a enfrentar uma carga adicional de até 37,5%.
Diálogo foi acertado entre Lula e Trump
A retomada das negociações foi acertada durante uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, em 21 de agosto.
Na ocasião, Lula classificou como infundadas as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as tarifas. Trump, por sua vez, propôs a retomada das discussões entre as equipes dos dois governos.
Entre os argumentos utilizados por Washington para justificar a tarifa específica contra o Brasil estão supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão cita, entre outros pontos, questões relacionadas ao Pix e ao acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol.
Brasil contesta justificativas
O governo brasileiro não reconhece as alegações apresentadas pelos Estados Unidos e avalia que as medidas têm motivação política.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os negociadores norte-americanos defendiam maior abertura do mercado brasileiro, mas não apresentavam contrapartidas nas negociações.
Brasília também questiona a tarifa adicional relacionada ao trabalho forçado. Na avaliação do governo brasileiro, a medida teria criado uma nova fundamentação jurídica para restabelecer tarifas que haviam sido derrubadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro.
Disputa envolve cenário geopolítico
A negociação ocorre em meio à estratégia norte-americana de ampliar sua influência na América Latina, enquanto a China aumentou sua presença econômica na região nas últimas décadas.
Para o governo brasileiro, a disputa comercial também pode ter relação com as eleições gerais previstas para outubro, diante do potencial impacto político e econômico das medidas adotadas pela Casa Branca.






