Com Cid relator, Redata avança no Senado e abre janela estratégica para o Ceará

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Os senadores Cid Gomes e Camilo Santana conversam na sessão do Senado que aprovou o Redata.

O Senado aprovou nesta terça-feira (1º) o projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). Sem alterações de mérito, a proposta segue agora para sanção do presidente Lula. O relator foi o senador Cid Gomes (PSB-CE).

O projeto originário da Câmara dos Deputados foi de autoria do hoje ministro das Relações Institucionais José Guimarães.

Para o Ceará, a aprovação tem peso especial. O Estado já está no centro da corrida brasileira pelos grandes centros de processamento de dados, com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém abrigando o projeto de data center do TikTok. Cid destacou em plenário a dimensão do investimento:

“É um negócio extraordinário, são mais de R$ 200 bilhões que estão sendo investidos em infraestrutura física, mas principalmente em equipamentos.”

O número citado pelo senador considera o conjunto dos investimentos públicos e privados relacionados à infraestrutura do empreendimento e reforça a dimensão estratégica que o setor pode assumir para o Ceará.

Por que isso importa para o Ceará
O Redata reduz o custo de instalação dos data centers ao suspender, por cinco anos, tributos como Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e IPI sobre equipamentos e componentes destinados às instalações. Ao final do cumprimento das condições previstas, a suspensão pode ser convertida em isenção.

Na prática, a medida melhora a competitividade brasileira e pode beneficiar especialmente regiões capazes de oferecer energia abundante, infraestrutura de telecomunicações e logística.

É aí que o Ceará entra forte.

O Estado reúne o Pecém, a ZPE, conexão internacional por cabos submarinos e uma matriz elétrica fortemente apoiada em fontes renováveis. Para data centers, essa combinação é particularmente relevante porque inteligência artificial e computação em nuvem exigem enormes volumes de energia e infraestrutura de processamento.

IA muda o jogo
Cid resumiu no Senado a transformação provocada pela inteligência artificial:

“Com o advento da inteligência artificial é de que cada vez mais estruturas de bancos de dados sejam necessárias à implantação para que as informações possam estar rápidas e prontamente disponíveis para o uso e consumo da população.”

O projeto não trata apenas de armazenar dados. O Redata contempla estruturas voltadas a computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. 

E há uma contrapartida importante: as empresas beneficiadas terão de direcionar pelo menos 10% da capacidade instalada ao mercado interno, utilizar energia de fontes renováveis ou de baixa emissão, cumprir critérios de eficiência hídrica e investir 2% do valor dos equipamentos beneficiados em pesquisa e inovação. Desse montante destinado à pesquisa, 40% deverão ser aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

O ponto político
A aprovação também representa uma vitória da articulação em torno do projeto. Cid optou por preservar o mérito do texto aprovado pela Câmara e fazer apenas ajustes de redação, evitando que a proposta retornasse para nova votação dos deputados.

A estratégia foi explícita: não perder a janela legislativa do esforço concentrado.

Agora, a bola está com o Planalto.

Para o Ceará, porém, a discussão vai além de um incentivo tributário. O Redata pode ajudar a transformar o Pecém em uma plataforma brasileira para a economia da inteligência artificial — atraindo capital, infraestrutura digital, pesquisa, empregos qualificados e novos negócios para o Nordeste. 

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

André Fernandes, o bloquinho e a ilusão de conquistar Fortaleza dançando para convertidos

Lula: a vitória de um sobrevivente político diante de um Brasil que mudou

Extensão da votação abre caminho para judicialização do segundo turno; disputa pode chegar ao STF

As pesquisas apontam para Flávio, mas a urna ainda pode contrariar os números

Onde os fracos não têm vez: Datafolha mostra placar com Flávio com 47% e Lula 46%; Nos votos válidos, é 50 a 50

Atlas/Bloomberg: Flávio abre 2,2 pontos sobre Lula

O Brasil que não acabou: a escala 6×1 e a história das mudanças que prometiam o caos

Sócia da Fraport, Lufthansa compra metade da TAP e o Ceará pode ganhar uma nova ponte aérea com a Europa

Cláusula de barreira põe dois federais a mais no colo do PSB de Cid Gomes

Com aplausos, Kátia Abreu expõe incômodo no PT: “Paulistas sem voto” e “menos Janja, mais Alckmin”

Atlas/Focus para presidente no Ceará: Lula amplia vantagem e chega a 60,8%; Flávio tem 28,9%

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

MAIS LIDAS DO DIA

Refundação de coisa feita e de um elo perdido; Por Paulo Elpídio

Ambidestro: liderar entre o que funciona e o que precisa mudar e o Terceiro Paraíso; Por Marco Dalpozzo