
A produção de feijão no Ceará deverá alcançar 122,5 mil toneladas na safra 2025/2026, alta de 131,6% em relação às 52,9 mil toneladas registradas no ciclo anterior. Os dados são do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), com base em informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do sistema Comex Stat.
O crescimento ocorre mesmo com a redução da área plantada no Estado, que passou de 336,4 mil hectares para 314,9 mil hectares. A queda foi de cerca de 6,4%, enquanto a produção mais que dobrou.
Com o resultado, o Ceará deverá registrar o maior crescimento relativo da produção de feijão entre os Estados do Nordeste na safra 2025/2026. O avanço é atribuído principalmente à recuperação da produtividade, favorecida por melhores condições climáticas durante parte do ciclo produtivo.
Produção cresce no Nordeste
A produção de feijão no Nordeste deverá chegar a 711,7 mil toneladas na safra 2025/2026, crescimento de 17,8% em relação ao ciclo anterior. O desempenho regional contrasta com a retração de 3,2% prevista para a produção nacional.
Além do Ceará, Bahia e Piauí contribuem para o resultado regional. A Bahia permanece como a maior produtora nordestina, com previsão de 318,5 mil toneladas. O Piauí deverá produzir 71,3 mil toneladas, alta de 33% em relação à safra anterior.
Exportações também avançam
Entre janeiro e julho de 2026, o Nordeste exportou 17,5 mil toneladas de feijão, movimentando US$ 13,05 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 31,9% no volume e de 27,8% no valor das exportações.
O saldo comercial permaneceu positivo, sem registro de importações.
O Maranhão liderou as vendas externas nordestinas, com embarques de 12,42 mil toneladas e receita de US$ 9,74 milhões, respondendo por aproximadamente três quartos das exportações regionais.
A Bahia ficou na segunda posição, com 4,4 mil toneladas exportadas e faturamento de US$ 2,81 milhões. Já o Piauí registrou o maior crescimento proporcional entre os principais exportadores, com US$ 493,6 mil em vendas e 683,6 toneladas embarcadas, altas de 84,4% e 108,5%, respectivamente.
Demanda asiática impulsiona mercado
Segundo o Etene, a expansão das exportações está associada ao aumento da demanda asiática por feijões do tipo vigna, especialmente o feijão-caupi, também conhecido como feijão-fradinho ou feijão-de-corda.
Índia, Paquistão e Vietnã estão entre os principais destinos das vendas brasileiras.
Para Luciano Feijão Ximenes, gerente executivo da Célula de Estudos e Pesquisas Setoriais do Etene e um dos autores do levantamento, o resultado mostra o potencial do Nordeste no mercado internacional de leguminosas.
“Os resultados mostram que o Nordeste vem consolidando uma posição estratégica na produção e no comércio exterior de feijão-caupi”, afirma.
O pesquisador também destaca que a recuperação da produtividade, combinada à expansão das exportações, fortalece a cadeia produtiva regional. Segundo ele, investimentos em logística, armazenagem, assistência técnica e gestão de riscos climáticos são necessários para sustentar o crescimento do setor.
Ganho de produtividade no Ceará
No Ceará, o aumento da produção ocorreu simultaneamente à redução da área cultivada. O salto de 52,9 mil para 122,5 mil toneladas reforça o peso do ganho de produtividade para explicar o desempenho previsto para a safra 2025/2026.
O resultado coloca o Estado entre os principais destaques da produção regional de feijão no ciclo.






