
O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou o julgamento sobre a condução das investigações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça após o pedido de vista do ministro Flávio Dino. Ainda não há nova data para a retomada da análise.
Até a interrupção, o placar parcial estava em 4 votos a 3 pela análise separada das condutas dos dois ministros. Votaram pelo julgamento separado Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes defenderam a análise conjunta.
Dino havia se manifestado pela análise conjunta, mas pediu que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório em razão do pedido de vista. Dias Toffoli e Nunes Marques não participaram da votação. Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, enquanto Nunes Marques se declarou impedido.
Discussão sobre o Banco Master
A sessão começou nesta terça-feira (15) com a análise sobre a possibilidade de investigação de Moraes por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
Durante o julgamento, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para que também fossem analisadas possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça na condução do caso. O ministro defendeu ainda que o processo fosse redistribuído entre os integrantes da Corte, em vez de permanecer sob a relatoria de Fachin.
A discussão foi interrompida após o pedido de vista de Dino.
Bate-boca entre ministros
A sessão foi marcada por discussões entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Mendes questionou a condução do caso e afirmou que a atuação do colega teria “viés eleitoral”. Mendonça respondeu que o ministro estava sendo “leviano”.
Em outro momento, Mendes classificou a postura de Mendonça como “covarde” e “vil”. Cármen Lúcia afirmou estar “envergonhada” com o episódio e pediu desculpas à população.
Entenda o caso
A crise teve início após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e enviadas a Alexandre de Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
Em uma das mensagens, Vorcaro aparenta encaminhar a Moraes informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O ex-banqueiro também teria buscado informações sobre uma possível operação para prendê-lo.
Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como ilegal e inconstitucional. Em reação, divulgou outro documento apresentado como relatório de inteligência da PF, que levantava a hipótese de direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça.
O material divulgado por Moraes não possui assinatura ou timbre da Polícia Federal e trazia a indicação de que se tratava de uma conjectura, sem valor probatório.
O caso gerou uma série de pedidos de investigação e decisões conflitantes entre ministros do STF. A análise sobre as supostas irregularidades atribuídas a Mendonça está prevista para 23 de setembro.






