A hora da verdade na eleição de Fortaleza; Por Ricardo Alcântara

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É aqui que mais de 1,5 milhão de pessoas vão hospedar o próximo prefeito. O Paço Municipal de Fortaleza, antigo Palácio Episcopal, encontra-se na Rua São José. Ao redor da Catedral Metropolitana está o Bosque Dom Delgado. Construída no século XIX, é sede da Prefeitura Municipal da Cidade desde 1973.

A escolha, enfim tranquila, do nome de Evandro Leitão como o candidato das forças que apoiam o governo de Elmano de Freitas fecha um ciclo no processo eleitoral de Fortaleza.

O atual prefeito José Sarto e seus opositores à direita e à esquerda entram em uma nova fase da disputa, que se estenderá por mais oito semanas e tem desafios próprios para todos eles.

Agora, cada um há de mostrar potencial de crescimento, injetar confiança nos seus setores de apoio e contagiá-los com uma expectativa de êxito para alcançar um círculo amplo do eleitorado.

Se você está preocupado com as dificuldades conjunturais do seu candidato preferencial, eis a boa notícia: entre os demais concorrentes também não há ninguém muito tranquilo.

Para começar, repare o caso do prefeito, que deixou para ligar o play no fim do filme e enfrenta uma barreira de 27% de habitantes que considera sua gestão “péssima” – um segmento de quase um terço.

Quando, no último ano de gestão, um eleitor assim define seu prefeito, é voto quase irreversível. Um terço dos eleitores com elevados teores de rejeição é, no quadro de um segundo turno disputado, quase letal.

Agora, observe a candidatura de Capitão Wagner, antes liderança de proa da “direita popular”, e pense no estrago que poderá lhe causar a candidatura do fascista raiz André Fernandes…

Abraçado a ele, Bolsonaro lotou um ginásio de camisas verde-amarelas. Militância orgânica. Um cinturão evangélico apertando a quem antes detinha o monopólio dessas perversões, o Capitão Wagner.

Evandro Leitão é um candidato anabolizado pelo apoio do governador e do presidente, é fato. Mas nenhum deles, hoje (22 de abril), a julgar pelas pesquisas, faz um governo mobilizador.

Ele tem um desafio particular: cristão novo na paróquia petista, precisa convencer os fiéis de que já decorou as orações do catecismo. Não tem a cara do partido e precisa fazer essa harmonização facial. Tem tempo?

Portanto, estão todos subindo a mesma ladeira e só na descida é que todo santo ajuda. Até o início de julho se verá se todos eles têm fôlego para cruzar a faixa que indica passagem para o segundo turno.

O que demarca o início de julho não é nenhuma conjunção astral ou cálculo cabalístico. É o calendário eleitoral mesmo e o prazo final para a definição de candidatos e organização dos ritos da convenção.

Não é muito provável, mas, por todas as águas que já vimos passar por cima da ponte, não se surpreenda se novos nomes surgirem e algum desses for superado por imposição dos fatos.

Não creio. Mas não duvido. A ver.

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