Advogar

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Raquel Cavalcanti Ramos Machado é advogada, mestre em Direito pela UFC, doutora em Direito pela USP, professora de Direito Eleitoral e Direito Administrativo da UFC e Visiting Research Scholar da Wirtschaftsuniversität, Viena, Áustria. Escreve quinzenalmente para o Focus.jor.

Por Raquel Machado
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Motivo de piadas maldosas, acusado de cinismo com as palavras, de retóricas vazias e de relações diabólicas, ameaçado (dizem alguns) pelas novas ferramentas tecnológicas, o advogado transcorre os dias atuais em luta intensa. Além dos problemas próprios da atividade, o excesso de profissionais leva a generalizações com base nos defeitos presentes em uma parte da classe.
Advogar, bem advogar, é missão heróica que requer habilidades de malabarista, paciência budista (num mundo de ansiedade), força leonina e nervos de aço. Entre as demandas dos clientes (geralmente esperando no mínimo vencer, mesmo quando se encontram nas situações mais embaraçadas, arquitetadas por eles próprios), e o ego de alguns juízes (com seu tempo espaçado de decidir, e imaginando fazerem um favor ao atender um advogado), o advogado vai capinando seu terreno, construindo estradas difíceis, num processo demorado, cheio de ir e vir, desmoronamentos e reconstruções. Se, ao fim, chegada a vitória, recebe quantia aparentemente elevada por seus serviços, o que se vê, geralmente, é apenas aquele seu ato final, como se a remuneração fosse pelo último passo da luta, e não por todas as batalhas travadas ao longo de tantos anos de um processo, com os desgastes materiais e emocionais que lhe são próprios. Mais uma acusação injusta lhe recai.
A atividade advocatícia requer uma visão ampla do complexo ordenamento jurídico, além de um planejamento estratégico. Intelecto e emoção urgem como elementos de ação.
Apesar de máquinas poderem atualmente ofertar prontas respostas sobre as normas vigentes e a jurisprudência, com soluções para casos comuns, a complexidade humana há sempre de incrementar as resoluções jurídicas com criatividade e afeto não superáveis por computadores e programas tecnológicos.
Quem já teve um dia um problema jurídico para resolver, há de saber: encontrar um bom advogado é abrigo em céu de bombardeio. Os conflitos são humanos, de sua essência, e caminharão com a humanidade, enquanto dois seres tentarem compor ou sobrepor interesses. Apesar das acusações, ataques a que se sujeita, seja para tentar conciliar, seja para lutar, o advogado, em suas tão duras atividades, é essencial e merece nosso reconhecimento pela técnica e pelo humanismo com que lapida a sociedade.

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