Exclusivo: Gerdau suspende atividades de fábricas no Ceará, põe funcionários em “layoff” e critica concorrência com a China

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Por Átila Varela

Primeiro no Focus. A Gerdau suspendeu suas atividades no Ceará. A companhia tem dois parques siderúrgicos no Estado, em Maracanaú e Caucaia – este último era a  Siderúrgica Latino-America (Silat), comprada do grupo espanhol Hierros Añón.

A fábrica de Maracanaú, conhecida como Usina Siderúrgica Gerdau Cearense, remonta aos tempos da industrialização iniciada pelo ex-governador Virgílio Távora, sendo a primeira siderúrgica do Estado, construída na década de 1970.

O número total de empregados com contratos suspensos, no entanto, pode chegar a 600. Contudo, a empresa não confirmou o montante de colaboradores que estão em “layoff”.

O motivo da paralisação das operações é o desafio de concorrer com o aço chinês.

O ex-titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Maia Júnior, comentou a situação.

“A Gerdau montou a fábrica (de Maracanaú) na época do ex-governador Virgílio Távora, que é a laminação em Maracanaú. Ainda no governo do Camilo, eu participei do processo de aquisição da Silat. Tínhamos deixado um protocolo para investimentos nas duas. Considerava um ponto estratégico. O Ceará tinha quatro siderúrgicas, agora passa a contar apenas com duas”, declarou ao Focus.

“Isso é péssimo para o Ceará. Estão desfazendo o que a gente construiu de melhor: que era o bom ambiente e o círculo virtuoso do Estado e do mercado para novos investimentos. Estão abrindo as portas para China. Não temos empresas tão competitivas para enfrentar a avalanche chinesa em nenhuma atividade econômica. É perigoso o que está acontecendo na política industrial brasileira”, destacou.

“Foram dois protocolos de quase R$ 300 milhões. O que aconteceu em um setor que tinha representatividade no Ceará? O que motivou a tomar essa decisão? É um baque para a nossa economia. Vejo com muita tristeza. A Gerdau é representativa e estratégica para o Estado”, questionou Maia Jr.

Após matéria, o atual titular da SDE, Salmito Filho, afirmou que a secretaria está trabalhando com a Gerdau para que a produção seja retomada.

Em nota ao Focus, a Gerdau confirmou a suspensão das atividades.

“A Gerdau analisa constantemente o mercado em busca das melhores práticas e soluções que garantam a sustentabilidade e a continuidade de suas operações. Neste contexto, a empresa enfatiza que não encerrou e não possui planos de encerrar suas operações nas usinas de Maracanaú e Caucaia, localizadas no estado do Ceará. Além disso, não há conversas em andamento para realizar demissões.

No momento, a empresa paralisou as atividades do laminador na unidade, além de ter implementado um programa de suspensão temporária de contratos de funcionários, que tem como objetivo principal preservar os empregos existentes. Essa decisão reflete a estabilidade da demanda por aço no mercado brasileiro, que se mantém em níveis elevados, mas enfrenta desafios devido ao desequilíbrio na oferta de produtos importados, principalmente provenientes da China.

A Gerdau acredita que é fundamental adotar tarifas de importação de aço similares às praticadas nos principais mercados, a fim de garantir uma simetria de mercado e equilibrar o volume de importações, atualmente desbalanceado em favor dos players nacionais em termos de competitividade. Até o presente momento, este movimento, que precisa ser avaliado pelo governo, não ocorreu.

A empresa reforça que o atendimento aos clientes permanecerá inalterado.”

A Silat

A Silat foi adquirida em 2019 por US$ 110,8 milhões – o que totalizava à época R$ 472 milhões – do grupo espanhol Hierros Añón. Contava com 233 colaboradores, entre próprios e terceiros, e tinha uma capacidade instalada anual de laminação de 600 mil toneladas e uma planta de ampliados capaz de produzir 100 mil toneladas a cada ano. A empresa é fabricante de vergalhões, telas soldadas, malhas de aço e treliças.

O que é layoff?

O layoff é uma medida adotada pelas empresas para reestruturar e se adaptar às condições atuais do mercado. Ela é usada para ajustar as operações em determinadas circunstâncias, sejam ela sejam elas de natureza econômica, técnica ou mudanças organizacionais. A tradução da palavra significa “período de inatividade”.

Em resumo, o objetivo do layoff é suspender ou excluir temporariamente uma vaga emprego. Ou seja, quando a empresa pratica um layoff, a vaga do colaborador afastado deixa de existir “temporariamente”.

 

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