
O Brasil alcançou, pela primeira vez na série histórica, a faixa de “muito alto desenvolvimento humano”, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país chegou a 0,805 em 2024 — o maior patamar já registrado.
O avanço representa o terceiro ano consecutivo de crescimento do indicador, que havia marcado 0,798 em 2023. O levantamento considera três dimensões centrais: renda, educação e longevidade.
O contexto
A nova edição do Radar IDHM volta a ser publicada após uma década e marca os 30 anos do primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano produzido no Brasil. O estudo aponta que políticas públicas de inclusão social, expansão educacional e transferência de renda foram decisivas para a melhora dos indicadores ao longo das últimas décadas.
Segundo o chefe do Pnud no Brasil, Claudio Providas, o resultado reflete um ciclo prolongado de investimentos sociais.
“Representa décadas de investimento público, de políticas que prolongaram vidas, abriram as portas das escolas e colocaram renda nas mãos das pessoas.”
Por que importa
Apesar do avanço histórico, o relatório mostra que o desenvolvimento brasileiro permanece profundamente desigual. Quando o índice é ajustado pelas desigualdades sociais, o IDHM brasileiro cai de 0,805 para 0,641 — patamar considerado apenas médio. Os recortes raciais evidenciam o contraste:
- População branca: IDHM de 0,851 (“muito alto”)
- População negra: IDHM de 0,774 (“alto”)
A diferença também aparece na expectativa de vida:
- Pessoas brancas vivem, em média, 79,8 anos
- Pretos e pardos têm expectativa média de 75,7 anos
Na renda, o abismo regional e racial permanece expressivo. Enquanto uma pessoa branca no Distrito Federal registra renda média de R$ 1.987, uma pessoa negra no Maranhão tem média de R$ 446.
O fator educação
A educação foi a dimensão que mais impulsionou a evolução do IDHM brasileiro entre 2012 e 2024. O relatório associa parte desse avanço à ampliação da frequência escolar e à redução do trabalho infantil, impulsionadas por programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. O índice educacional subiu de 0,789 para 0,798 em apenas um ano. Entre a população adulta, 76,6% dos brancos concluíram o ensino fundamental em 2024. Entre pretos e pardos, o percentual foi de 67,3%.
As desigualdades diminuíram, porém ainda lentamente
O estudo mostra que a distância entre os indicadores de brancos e negros vem caindo desde 2012.
Há 12 anos:
- IDHM branco: 0,804
- IDHM negro: 0,694
Em 2024:
- IDHM branco: 0,851
- IDHM negro: 0,774
A diferença caiu de 0,110 para 0,077.
Outro dado destacado pelo Pnud mostra que, em 2021, estimava-se que a população negra levaria 35 anos para alcançar o mesmo IDH da população branca. Agora, a projeção caiu para 26 anos.
Entre linhas
O relatório também aponta que o Brasil ainda sente os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre renda, educação e expectativa de vida. Embora os indicadores tenham retomado crescimento desde 2022, o país ainda não recuperou completamente o ritmo observado antes da crise sanitária.
Para o Pnud, o novo desafio brasileiro deixa de ser apenas crescer — e passa a ser reduzir desigualdades estruturais históricas ligadas à raça, gênero e renda.
Veja aqui o relatório completo






