Negociada por Lula, adesão brasileira à nova Rota da Seda chinesa divide opiniões

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Foto: PublicDomainPictures/Pixabay

O governo chinês colocou na mesa de negociação para a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim a adesão formal ao projeto da nova Rota da Seda (Belt and Road), lançado por Xi Jinping em 2013. A iniciativa chinesa completa dez anos agora. A participação brasileira, ainda em avaliação, divide opiniões na diplomacia e seria um gesto político a favor da China, num momento de rivalidades e tensões exacerbadas com os Estados Unidos – segundo maior parceiro comercial e principal investidor externo no País.

O plano consiste na formação de uma grande rede de infraestrutura, passando por diversos modais de transporte, principalmente, portos, rodovias e ferrovias, conectando os continentes para escoamento de produtos. O projeto começou integrando países do Leste Europeu e da antiga União Soviética. Vizinhos do Brasil integram a lista de 147 países participantes, como Argentina e Chile.

­Fontes do governo brasileiro dizem que a adesão do Brasil, um objetivo perseguido pelos chineses, segue em negociação para a declaração conjunta que Lula e Xi Jinping farão após o encontro formal, na próxima terça-feira, dia 28. O comunicado tem cerca de 50 parágrafos.

A pressão chinesa pelo ingresso do Brasil, maior economia da América Latina, é recorrente. Outros 20 da região já fazem parte e recebem investimentos chineses em infraestrutura, para conectar as rotas marítimas e terrestres.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com comércio no ano passado de U$ 150 bilhões. Além de diversificar a pauta de produtos, atualmente ancorada nas commodities, o governo quer atrair mais investimentos chineses em setores estratégicos. O acumulado de investimentos é de cerca de U$ 70 bilhões. Na balança comercial, o saldo é favorável ao Brasil, com US$ 61,8 bilhões.

Integrantes do governo deram declarações conflitantes. Questionado sobre a possível adesão, o embaixador Eduardo Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, indicou desinteresse do Brasil em aderir à iniciativa chinesa neste momento.

“Com relação ao Belt and Road (Cinturão e Rota), eu entendo que o Brasil já tem um arcabouço muito sólido que é a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban). Essa parceria, essa estrutura toda, tem permitido alcançar objetivos que são infraestrutura, desenvolvimento de comércio e investimentos. Estão em sintonia com os objetivos da iniciativa Cinturão e Rota Ela não necessariamente tem um valor agregado nesse momento”, afirmou, ao detalhar os objetivos da visita presidencial a Pequim.

Já o ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial de Lula, afirmou que não haveria problemas na subscrição do governo brasileiro. Principal influenciador de Lula nas relações internacionais, Amorim disse ao jornal Valor Econômico que “não vê razão” para o Brasil deixar de ingressar na nova roda da seda, nem “dano político” com os norte-americanos.

A declaração é vista por embaixadores mais como um movimento político do ex-chanceler. Os resultados práticos a favor do Brasil e as consequências na relação com Washington, na avaliação de diplomatas especializados em China, são incertos. Para um ex-embaixador brasileiro em Pequim, trata-se de um “gesto político” a favor da China.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Três pesquisas medem o mesmo Ceará e encontram distâncias diferentes entre Ciro e Elmano

Focus + Atlas para o Senado: Cid e Luizianne empatam na liderança; Wagner e Alcides travam disputa pela direita

Ciro e Elmano

Focus Poder/Atlas: Ciro lidera, Elmano encosta e diferença cai para 2,6 pontos

Atlas/Focus Poder, Datafolha e Quaest: três pesquisas em campo no Ceará deixam mercado político nervoso

Atlas/Bloomberg: Lula lidera 1º turno, mas entra na eleição com rejeição maior que aprovação

Data centers: Congresso começa a discutir política para setor que já movimenta mais de R$ 380 bilhões no Ceará

Ranking da Competitividade: Ceará muda de patamar, lidera Norte-Nordeste e bate à porta do top 10 nacional

TSE define tempo de TV; Lula terá maior exposição e pode ser trunfo de Elmano no Ceará

M. Dias Branco cresce em volume e fecha semestre com lucro de R$ 275 milhões

Pesquisa Focus Poder/Atlas: Lula é a maior força eleitoral do Ceará; Veja tudo

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel para o Senado: diagnóstico em 13 pontos

Guimarães foi o protagonista da articulação que levou Luizianne à compor chapa governista

MAIS LIDAS DO DIA

Ciro e Elmano trocam acusações em debate sobre Governo do Ceará

Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula no 2º turno, aponta PoderData/Aya

Fachin convoca sessão do STF para tratar de relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro

Produção de feijão no Ceará deve crescer 131,6% na safra 2025/2026

Com UFC no centro do projeto, Governo cria “WhatsApp” estatal para substituir aplicativo nas comunicações seguras

Pix passa a ter novas regras para contestação de devolução

Setor de serviços fica estável em julho após avanço de 2,6% em 12 meses

Atlas/Bloomberg: Lula lidera no 1º turno, mas Flávio Bolsonaro já empata no 2º

Casa da mãe Joana; Por Luis Sérgio Santos