
“A consequência disso é reduzir a opinião pública-cidadã a participante de enquetes políticas passivo e domesticado, cujas opiniões são previamente limitadas em função das opções de respostas pré-estabelecidas pelas elites”, Benjamin Ginsberg, 1986.
PEMN
Em circunstâncias que tais, o que diferencia uma “pesquisa” eleitoral de eleições segundo procedimento eleitoral propriamente dito?
Aparentemente, a escolha da amostragem, conforme critérios metodológicos fazem a diferença ou estabelecem a semelhança.
No primeiro caso, votam os “cidadãos-eleitores”, de acordo com rito pré-estabelecido mediante voto digitalizado, impresso ou recolhido a uma memória eletrônica, auditável ou não.
No segundo caso, são empresas credenciadas, privadas, umas, sob contratos públicos, outras, que auscultam a opinião pública e antecipam as inclinações ou as tendências dos eleitores, e mantidas por eles em em discreto sigilo.
Esses aparelhos de quantificação eleitoral, empresas supostamente “técnicas” que buscam descobrir as dissimulações e intenções ocultas do eleitor, devem ser acreditadas e credencializadas pelo Estado e servidos da necessária judicializacão eleitoral.
Já foi lembrado que a “indiscutibilidade” dos resultados da pesquisas de opinião podem caracterirar a “espiral do silêncio”, a reação dissimulada do eleitor em face de vencedor “reconhecido” antecipadamente. Eleitores há que não se permitem “perder” o voto: “não vota em quem vai perder a eleição”. A esse fenômeno dá-se o nome de “Bandewagon”, “efeito manada” , a vontade para estar “do lado do “vencedor”. Em “Pesquisa eleitoral e clima de oponião”, Elisabeth Noelle-Neumann
Andou com tamanha pressa o governo que já está sendo anunciada a criação de um “selo” de qualidade para o reconhecimento dos graus de confiabilidade das empresas dedicadas à pesquisa eleitoral. Quanto mais as previsões se aproximarem do resultado eleitoral oficial, tanto mais confiabilidade passam a ostentar essas escutas indiscretas para saber com segurança quem vencerá o pleito cogitado.
Com o aperfeiçoamente tecnológico das regras de previsão, já supõem alguns especialistas que a “pesquisa de opinião” substituirá, em futuro próximo, nas novas democracias relativas, os elevados custos e as incertezas das eleições tradicionais, que muitos já consideran procedimento antiquado e ineficiente…






