Dólar cai 1,74% e fecha a R$ 5,4042 com redução de prêmios de risco após PEC

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Foto: Freepik.

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

O real exibiu de longe o melhor desempenho entre as divisas emergentes na comparação com dólar nesta quinta-feira, 11, dia marcado por forte valorização do Ibovespa e recuo dos juros futuros.

Segundo analistas, a perspectiva de que a PEC dos Precatórios passe no Senado, após ser aprovada por boa margem em segundo turno na Câmara dos Deputados, diminui a incerteza no campo fiscal e, por tabela, os prêmios de risco embutidos nos ativos domésticos. Também contribui para a apreciação do real a alta de commodities como o minério de ferro, na esteira dissipação de temores de uma crise no setor imobiliário chinês após a incorporadora Evergrande honrar pagamento de bônus e Pequim sinalizar que pode relaxar a regulação setorial.

A moeda brasileira, que havia sido muito castigada ao longo de outubro, auge das preocupações com o furo do teto dos gastos, agora se sobressai entre seus pares. Por aqui, o dólar à vista trabalhou em queda superior a 1% durante quase todo o pregão e, no início da tarde, chegou a romper o piso de R$ 5,40, descendo até a mínima de R$ 5,3926 (-1,95%). No fim do dia, encerrou em baixa de 1,74%, a R$ 5,4042 – menor valor de fechamento desde 1º de outubro, quando encerrou a R$ 5,3691.

Operadores destacam que o fluxo cambial foi pequeno devido ao feriado do Dia dos Veteranos nos Estados Unidos (com o mercado de Treasuries fechado), o que não tira a representatividade da recuperação do real. O fato é que, com a queda desta quinta, o dólar já perde 2,15% na semana. Em novembro, a moeda americana acumula um tombo de 4,28%, esboçando interromper uma sequência de dois meses de valorização (3,67% em outubro e 5,40% em setembro).

O economista-chefe da Integral Group, Daniel Miraglia, classifica a apreciação do real como um movimento natural de correção no curto prazo, estimulado pela redução das incertezas no campo fiscal. “O fato de a PEC passar na Câmara trouxe um alívio de curto prazo, porque significa que não vai se perder totalmente o controle das despesas, como poderia ocorrer sem a PEC”, afirma Miraglia, que vê uma “boa possibilidade” de a proposta ser aprovada no Senado. “Estão tirando cenários piores dos preços, mas o real ainda tem um desempenho pior que seus pares em janelas mais longas.”

O estrategista da Davos, Mauro Morelli, vê a recuperação recente do real não como um sintoma de otimismo dos investidores com a política fiscal, mas como uma redução gradual do pessimismo após a aprovação da PEC dos Precatórios. Ele lembra que o dólar chegou a toca R$ 5,70 e era de se esperar um recuo da taxa de câmbio à medida que diminuísse um pouco a percepção de risco. “Não vejo esse movimento como uma tendência de melhora. É mais um ajuste. A moeda brasileira ainda é uma das mais desvalorizadas do mundo e a volatilidade tende a continuar”, diz Morelli, chamando a atenção para as incertezas que devem ser provocadas pela aproximação do processo eleitoral.

Em evento realizado pelo Itaú, a diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Fernanda Guardado, pontuou que houve quebra na relação entre termos de troca e formação da taxa de câmbio no Brasil e em outros países produtores de commodities – fenômeno que poderia ser explicado pela deterioração fiscal provocada pelos gastos com a pandemia. Guardado acredita que essa descorrelação pode ser atenuada com a normalização das políticas monetárias. Em todo caso, o ‘modus operandi’ do BC no mercado de câmbio não muda. “Só atuamos em cenários de fluxo que não consegue ser digerido por mercado, ou quando há disfuncionalidade”, afirmou.

Em relação à política monetária, Guardado sinalizou que o ritmo de alta da taxa Selic em 1,5 ponto porcentual por reunião – adotado em no encontro do Copom em outubro – “ainda parece adequado”, dado o conjunto de informações que o BC tem no momento. Não faltou a tradicional ressalva de que o BC pode adotar mudar de ideia caso as condições econômicas se alterem.

O principal indicador do dia deu força a quem aposta que o Copom não vai acelerar o passo em dezembro. Pela manhã, o IBGE informou que as vendas no varejo caíram 1,3% em setembro em relação a agosto (com ajuste sazonal), enquanto a mediana de Projeções Broadcast era negativa em 0,6%. Em relação a setembro de 2020 (sem ajustes sazonal), o tombo foi de 5,5%, também acima da mediana (-4%).

Na B3, o dólar futuro para dezembro fechou em queda de 1,76%, a R$ 5,41400, com volume negociado de US$ 11,2 bilhões.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

M. Dias Branco cresce em volume e fecha semestre com lucro de R$ 275 milhões

Pesquisa Focus Poder/Atlas: Lula é a maior força eleitoral do Ceará; Veja tudo

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel para o Senado: diagnóstico em 13 pontos

Guimarães foi o protagonista da articulação que levou Luizianne à compor chapa governista

Ceará consolida elite da educação brasileira no Ideb; Brasil segue sem atingir metas do ensino médio

TRE rejeita tese do relator e mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes

Quaest abre vantagem para Ciro, mas a campanha ainda reserva muitas variáveis

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

MAIS LIDAS DO DIA

Marquise Incorporações leva tecnologia da Porsche para obra de alto padrão em Fortaleza

José Maria Lucena, ex-prefeito de Limoeiro do Norte, morre aos 83 anos

USA Rare Earth capta US$ 1,5 bilhão para comprar mineradora de terras raras no Brasil

TikTok é multado em R$ 153,7 milhões por irregularidades com dados de adolescentes

Salário mínimo de 2027 é projetado em R$ 1.741

Conta de energia da Enel Ceará terá redução média de 5,87% a partir desta quarta

USP mira talentos do Ceará em movimento que vai desviar para SP cérebros que ficariam na UFC

Quixeramobim projeta aeroporto para acompanhar salto industrial puxado pela Transnordestina

Regulação do diploma de jornalista; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto