
A meutudo, fintech encabeçada pelo cearense Márcio Feitoza, parece ter entendido antes da maioria: o novo consignado privado não é só um produto, mas sim uma avenida de crescimento. E entrou acelerando.
Em menos de um ano, já colocou R$ 11 bilhões na rua, atingindo 7 milhões de clientes. Agora, mira um salto agressivo: R$ 25 bilhões até 2027. Isso dentro de um plano maior.
A empresa saiu de uma operação focada em renda para construir uma estrutura de crédito completa, com uma carteira que já bate R$ 20 bilhões e projeção de chegar a R$ 35 bilhões no curto prazo. O consignado privado puxa a frente, mas o ecossistema se expande com FGTS, INSS, Pix parcelado e seguros.
São indicativos que trata-se de uma plataforma, não de um produto. E tem um ponto-chave aqui: timing. Afinal, o mercado ainda está no começo – cerca de R$ 120 bilhões – mas com potencial claro de multiplicar e chegar próximo de R$ 400 bilhões. Quem estrutura operação e distribuição agora, captura escala depois.
A meutudo decidiu não depender de ninguém para isso. A compra da Parati – vendida pela Americanas em fevereiro – não foi só uma aquisição, foi também um movimento de infraestrutura. Com a licença própria, a fintech reduziu custos e eliminou intermediários, levando a experiência para outro nível: crédito aprovado em até 10 segundos. Isso tem poder de mudar o jogo. Velocidade vira vantagem competitiva.
Ainda em fevereiro, o BTG comprou 48% da meutudo. A entrada do banco de Andre Esteves não é apenas investimento, mas sim, na leitura do mercado, uma aliança estratégica. Distribuição, funding e musculatura para competir com gigantes digitais como Nubank e outros players que ainda estão estruturando suas posições nesse mercado. É um movimento claro de consolidação.
Márcio Feitoza fundou a meutudo com o irmão Marcelo e o amigo Felipe Oquendo. O pai, Mario Feitoza, foi um dos principais executivos do BMC, banco cearense líder em consignado, vendido para o Bradesco em 2007.
A meutudo nasceu dessa base familiar com histórico no crédito, conhecimento profundo de risco e leitura de mercado, o tipo de bagagem que encurta curva de aprendizado e acelera execução. No fim, o que está acontecendo aqui não é só crescimento. É posicionamento antecipado em um mercado que ainda vai explodir. A lição já é conhecida: quem constrói agora, lidera depois.







