
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou, até o momento, R$ 3,44 bilhões em financiamentos pelo Move Brasil, programa lançado pelo governo federal para motoristas de aplicativos e taxistas comprarem veículos novos.
O valor representa 11,3% dos R$ 30 bilhões disponibilizados pelo programa, cuja validade termina em 15 de setembro. Ao todo, 33,4 mil motoristas já receberam os financiamentos, sendo cerca de 27 mil motoristas de aplicativo e 6 mil taxistas.
Entre os beneficiários, apenas 5% são mulheres, que têm acesso a taxas de juros menores dentro do programa.
Adesão de bancos privados é apontada como desafio
O ritmo de liberação dos recursos tem gerado críticas dentro do governo. Representantes da gestão federal atribuem parte da baixa adesão à participação limitada dos grandes bancos privados, que estariam adotando critérios mais restritivos para avaliar o risco de crédito dos motoristas.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que os bancos deveriam ser menos restritivos na concessão dos financiamentos. Segundo ele, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal lideram as operações, enquanto, entre os três grandes bancos privados, apenas o Santander aderiu ao programa.
Juros ficam abaixo da média do mercado
O Move Brasil estabelece juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. A taxa média praticada no mercado para financiamento de automóveis é de aproximadamente 28% ao ano, segundo dados monitorados pelo governo.
Para reduzir o risco assumido pelas instituições financeiras, o programa conta com o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), operado pelo BNDES com recursos do Tesouro Nacional.
O fundo, porém, não cobre integralmente os financiamentos. A garantia chega a 80% de cada empréstimo, limitada a 30% da carteira do banco destinada ao programa.
Fundo garantidor demorou a entrar em operação
Outro problema apontado pelo governo foi o atraso na ativação do FGI. O fundo começou a operar duas semanas após o lançamento do Move Brasil, realizado em 19 de junho.
Segundo Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o período inicial sem a garantia gerou dificuldades e também houve falhas na comunicação com os trabalhadores.
A habilitação para participar do programa, por exemplo, não significava aprovação automática do financiamento. A análise de crédito continuou sendo realizada pelas instituições financeiras.
Motoristas relatam dificuldades para conseguir crédito
Motoristas e funcionários de concessionárias relataram à reportagem um volume elevado de interessados no início do programa, mas um número menor de aprovações.
Entre os relatos estão negativas de crédito e dificuldades enfrentadas por profissionais com baixa pontuação ou restrições cadastrais. Em uma concessionária de Brasília, uma gerente afirmou que, em determinado dia, apenas 12 das 60 propostas apresentadas por motoristas foram aprovadas.
A diretora de Crédito Digital do BNDES, Maria Fernanda Coelho, afirmou que os bancos passaram por uma curva de aprendizagem para adaptar os modelos de análise à realidade dos motoristas de aplicativo.
Financiamentos chegam a R$ 700 milhões por semana
Segundo o BNDES, o volume de financiamentos aumentou ao longo da execução do programa. Nas primeiras semanas, eram liberados cerca de R$ 300 milhões por semana. Atualmente, o ritmo chegou a aproximadamente R$ 700 milhões semanais.
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Stellantis estão entre as principais financiadoras. As marcas mais financiadas são BYD, Fiat e Chevrolet.
As instituições também passaram a considerar, na análise de crédito, possíveis reduções de despesas dos motoristas, como a economia com combustível em caso de financiamento de veículos elétricos.
Programa termina em setembro
O Move Brasil tem validade até 15 de setembro. Questionados sobre uma possível prorrogação, BNDES, MDIC e Secretaria-Geral da Presidência não informaram se existe uma discussão formal para estender o programa.
Com informações da Folhapress






