O Nordeste foi a região brasileira que mais ampliou suas áreas urbanizadas entre 2019 e 2022, segundo a quarta edição do levantamento Áreas Urbanizadas do Brasil, divulgado nesta terça-feira (18) pelo IBGE. A região acrescentou 1.448,18 km² de feições urbanizadas no período, o equivalente a 30,22% de toda a expansão horizontal registrada no país, à frente do Sudeste, com 27,77%, e do Sul, com 25,86%.
O mapa das cidades está mudando
O Brasil tinha, em 2022, 50.981,91 km² de feições urbanizadas, que correspondem à soma das áreas urbanizadas, vazios intraurbanos e outros equipamentos urbanos. Esse conjunto representava apenas 0,60% da área territorial brasileira, mas sua distribuição é bastante concentrada: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia reuniam, sozinhos, 50,35% de todas as feições urbanizadas do país.
O dado mostra que a urbanização brasileira continua marcada por fortes diferenças territoriais. Enquanto determinados Estados concentram grandes manchas urbanas, 13 Unidades da Federação tinham participação inferior a 2% no total nacional, revelando uma ocupação urbana bastante desigual em relação à dimensão continental do país.
Nordeste avança mais para fora
O resultado nordestino ganha ainda mais relevância quando se observa a expansão horizontal das cidades. Entre 2019 e 2022, a região foi responsável por 30,22% de todo o crescimento das feições urbanizadas do país, com acréscimo de 1.448,18 km², e também apresentou o maior incremento relativo entre as grandes regiões, de 16,52%.
Quando o IBGE considera especificamente as áreas urbanizadas, sem incluir outros equipamentos urbanos e vazios intraurbanos, o Nordeste também aparece na liderança: foram 1.362,26 km² de expansão horizontal entre 2019 e 2022, contra 1.190,22 km² no Sudeste. A diferença é significativa porque o Sudeste continua tendo a maior extensão total de áreas urbanizadas do país, mas foi o Nordeste que mais avançou sobre novas áreas no período.
Há mais cidade — e mais espaço reservado para ela
Outro indicador reforça a dimensão desse movimento. O Nordeste respondeu por 44,08% de todo o acréscimo de Loteamentos Vazios registrado no país entre 2019 e 2022, muito à frente das demais regiões. São áreas destinadas à urbanização que ainda não estão ocupadas de forma consolidada e que podem representar novas frentes de crescimento das cidades nos próximos anos.
A combinação entre expansão das áreas urbanizadas e crescimento dos loteamentos vazios aponta para um processo que não ocorre apenas pela ocupação de espaços já consolidados. Há também abertura de novas áreas, o que aumenta o desafio para municípios que precisam levar infraestrutura, saneamento, transporte e serviços públicos para territórios cada vez mais extensos.
O litoral continua concentrando a urbanização
A urbanização brasileira permanece fortemente concentrada no litoral. Os 443 municípios costeiros ocupam apenas 5,02% do território nacional, mas concentravam, em 2022, 9.941,50 km² de feições urbanizadas, o equivalente a 19,50% de todo o país.
O contraste com a Amazônia Legal é expressivo. Os 772 municípios da região ocupam 59,11% do território brasileiro, mas respondiam por apenas 14,27% das feições urbanizadas. O mapa reforça, portanto, uma característica histórica da ocupação nacional: grande parte da população, das atividades econômicas e das estruturas urbanas permanece concentrada em uma faixa relativamente pequena do território.
Brasília lidera a expansão entre os municípios
Entre os municípios brasileiros, Brasília ocupou a primeira posição em expansão das feições urbanizadas entre 2019 e 2022, com acréscimo de 72,08 km². O crescimento da capital federal foi mais que o dobro do registrado por São Luís, no Maranhão, que ficou em segundo lugar, com expansão de 35,76 km².
O ranking também revela a força das capitais no processo de expansão urbana. Entre os 20 municípios com maiores extensões absolutas de feições urbanizadas em 2022, 15 eram capitais. O grupo inclui ainda Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto, em São Paulo, além de Feira de Santana, na Bahia, e Uberlândia, em Minas Gerais.
São Paulo continua sendo o maior território urbanizado
Apesar de o Nordeste liderar a expansão recente, São Paulo continua muito à frente quando o critério é a extensão absoluta das áreas urbanizadas. O Estado possuía, em 2022, 9.622,68 km² de feições urbanizadas, incluindo áreas densas e pouco densas e loteamentos vazios. Apenas as áreas densas e pouco densas somavam 9.343,66 km², equivalentes a 18,33% de todo o total brasileiro.
O Sudeste também mantém a liderança na concentração das áreas urbanizadas densas. A região tinha 14.529,63 km², correspondentes a 38,13% de todas as áreas densas do país, enquanto o Nordeste apresentava a maior extensão de áreas urbanizadas pouco densas, com 3.936,79 km², ou 30,56% do total nacional.
O que o levantamento revela
O estudo do IBGE não mede apenas o tamanho das cidades, mas procura mostrar como o território urbano brasileiro está se transformando. O mapeamento é produzido a partir da interpretação visual de imagens de satélite e permite identificar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas, considerando elementos como edificações, circulação, rede viária e distribuição e proximidade entre residências.
O resultado oferece uma fotografia importante para o planejamento das cidades. A expansão horizontal significa que os municípios precisam acompanhar o crescimento físico das manchas urbanas com infraestrutura e serviços, ao mesmo tempo em que enfrentam questões relacionadas à mobilidade, habitação, meio ambiente e sustentabilidade.
Por que importa: o dado mais expressivo do novo levantamento é que o Nordeste, embora ainda tenha uma área urbanizada total inferior à do Sudeste, foi responsável por quase um terço de toda a expansão horizontal urbana brasileira entre 2019 e 2022. O movimento indica que o mapa das cidades brasileiras continua mudando — e que uma parcela importante dessa transformação está acontecendo no Nordeste.







