
“Saber e não saber, estar consciente de completa veracidade, enquanto diz mentiras cuidadosamente construídas”, George Orwell – “1984”
P0r Paulo Elpidio de Menezes Neto
A realidade ultrapassou os seus próprios limites. Na política, certamente. Da visão apocalíptica de George Orwell e de Aldous Huxley, a ninguém ocorreria que o século XXI trouxesse tão surpreendentes personagens para a condução dos destinos da humanidade.
Bizarra galeria de atores, homens em maioria esmagadora, apagaria a imagem de tiranos e ditadores, intérpretes medíocres da história recente, desta idade inconfessavelmente contemporânea da qual somos testemunhas e sobreviventes.
Atila, Nero, Gengis-Khan, Torquemada, Hitler, Stalin, Hiroito, Vargas e Mussolini guardavam, consigo,o segredo do dominio e do poder herdado das hordas nômades que correram tempos afora pela Europa, pela Asia e o Oriente Médio.
O que veio depois superou a visão dos profetas e dos agentes civilizatórios dominados pelas razões da fé e da guerra. A personificação dos novos atores e os impulsos conceituais do “século das revoluções” obraram feitos inconcebíveis em um mundo dominado pela força.
O evento mais relevante desses tempos não foram as ideologias, porém os atores que as levaram à condição das distopias, apenas entrevistas no nascimento da pós-modernidade… Fascismo, socialismo, comunismo e democracia, mexidos em um caldeirão de metáforas, criaram a figura do “lider”, o “fűrher”, o “duce”, o “condottieri”, o “kaiser”, o “tzar”, “caudillo”…
Dessa safra de dirigentes amparados por uma incontrolàvel tentação totalitária, não foram poucos os que deixaram seu legado no quadro de uma democracia “relativa”. Os aiatolás, Sadam, Pútin, Kim-jong Un, os sheiks e seus turbantes, Bashar-al-Assad, Tayyp Erdogan, Kadaffi, Maduro, Chávez, Fidel, os Kirschner, os generais brasileiros de 1964, Morales, Noriega, Ortega, Trump são figuras que marcaram a extensão deste “brave new world” no qual passamos a viver.








