Ministros do STF sugerem revisar exigência de diploma para jornalistas

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Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam nesta terça-feira (18) que a Corte volte a discutir a exigência de diploma de Jornalismo para o exercício profissional.

A manifestação ocorreu durante julgamento na 1ª Turma do STF, em um processo que discute o direito de resposta concedido a uma clínica médica após uma reportagem da TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais. O julgamento foi suspenso após pedido de vista da ministra Cármen Lúcia.

Dino questiona extensão das garantias jornalísticas

Durante a sessão, Flávio Dino afirmou que a ausência da exigência do diploma torna mais difícil definir quem pode ter acesso às garantias específicas destinadas à atividade jornalística.

Segundo o ministro, a questão poderia ser revisitada pelo Supremo diante das mudanças provocadas pela expansão da produção de conteúdo na internet.

Dino afirmou que a decisão que dispensou o diploma deve ser respeitada, mas avaliou que ela pode ser novamente analisada pela Corte. Para ele, a situação se tornou mais complexa porque as garantias relacionadas à atividade jornalística poderiam alcançar também pessoas que produzem conteúdo em blogs e outras plataformas.

Moraes destaca diferença entre jornalistas e produtores de conteúdo

Alexandre de Moraes também apontou a necessidade de estabelecer uma distinção entre o trabalho realizado por jornalistas profissionais e os conteúdos produzidos e distribuídos por pessoas na internet.

A discussão surgiu justamente em um processo relacionado à responsabilidade e ao direito de resposta diante de uma reportagem jornalística.

Diploma deixou de ser obrigatório em 2009

O diploma de nível superior em Jornalismo deixou de ser obrigatório para o exercício da profissão no Brasil em 17 de junho de 2009.

Na ocasião, o STF considerou inconstitucional a exigência prevista no Decreto-Lei nº 972/1969, editado durante o regime militar.

Desde então, não é necessário possuir formação superior específica em Jornalismo para exercer atividades jornalísticas no país. A possibilidade de revisão dessa decisão, mencionada pelos ministros nesta terça-feira, ainda não representa uma mudança na regra vigente.

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