
A nova pesquisa AtlasIntel, exclusiva Focus Poder, mostra Ciro Gomes com 50,0% contra 46,1% de Elmano de Freitas em um eventual segundo turno para o Governo do Ceará. A vantagem, que chegou a 8,6 pontos em agosto, caiu para 3,9 pontos. Nos votos válidos, a fotografia é de 52% a 48%.
A principal notícia do segundo turno não é apenas quem aparece na frente. É a direção do movimento.
Ciro continua liderando, mas já não lidera com a folga registrada na pesquisa anterior. Elmano avançou, enquanto Ciro recuou. O resultado produz uma eleição mais competitiva e coloca a capacidade de crescimento dos dois candidatos no centro da disputa.
É, portanto, um retrato em movimento.
A fotografia de hoje
No cenário estimulado de segundo turno, Ciro aparece com 50,0%, contra 46,1% de Elmano. Outros 2,5% dizem não saber e 1,4% afirmam votar branco ou nulo.
Quando são considerados apenas os votos válidos, Ciro tem 52% e Elmano, 48%.

A diferença de 3,9 pontos no cenário total é superior à margem de erro de 2 pontos. Portanto, Ciro aparece numericamente à frente nesse recorte.
Mas a distância não pode ser considerada confortável.
Uma diferença inferior a quatro pontos, em uma eleição ainda em formação, não autoriza a leitura de uma corrida consolidada. Principalmente porque a própria série histórica mostra que a vantagem já foi maior.

O dado que muda a leitura: a vantagem encolheu 4,7 pontos
A série temporal da AtlasIntel é o melhor instrumento para compreender o momento.
Em março, Ciro tinha 50% contra 43% de Elmano, vantagem de 7 pontos.
Em junho, foi a 53% contra 45%, diferença de 8 pontos.
Em agosto, chegou ao melhor momento: 53,4% contra 44,8%, diferença de 8,6 pontos.
Agora, em setembro, Ciro está em 50% contra 46,1%. A diferença caiu para 3,9 pontos.
Ou seja: Ciro perdeu 3,4 pontos desde agosto. Elmano ganhou 1,3 ponto. A vantagem de Ciro encolheu 4,7 pontos.
Essa é a informação política mais relevante do levantamento. Não houve uma inversão, mas ocorreu a compressão da vantagem.
Ciro continua na frente, mas o cenário já não é o mesmo. É importante não exagerar o movimento de Elmano.
Na simulação de 2º turno, o governador ainda está 3,9 pontos atrás no cenário total e 4 pontos atrás nos votos válidos.
Portanto, a pesquisa não mostra Elmano à frente, nem sequer empate no segundo turno.
O que mostra é algo diferente: a vantagem de Ciro deixou de ser larga e passou a ser administrável pelo adversário.
Em agosto, a diferença de 8,6 pontos permitia ao campo de Ciro trabalhar com uma margem política bastante confortável.
Agora, com 3,9 pontos, qualquer alteração relevante no comportamento dos eleitores pode modificar o equilíbrio.

Elmano cresce justamente onde precisa crescer
Os cruzamentos demográficos ajudam a entender a composição desse segundo turno.
Há uma divisão bastante nítida por idade.
Ciro tem desempenho muito forte entre os eleitores de 25 a 44 anos, chegando a 66,1% entre 25 e 34 anos e 68,2% entre 35 e 44.
Elmano, por outro lado, alcança 54,7% entre os jovens de 16 a 24 anos e 73,0% entre os eleitores de 60 anos ou mais.
Trata-se de uma fotografia que merece atenção.
Ciro domina o miolo da população economicamente ativa. Elmano é especialmente forte nas duas pontas etárias, sobretudo entre os eleitores com 60 anos ou mais.
Esse dado pode ter implicações estratégicas importantes para a campanha.
Educação: Ciro cresce com a escolaridade
Outro recorte relevante aparece no nível educacional.
Entre eleitores com ensino superior, Ciro chega a 62,1%, enquanto Elmano fica em 34%.
No ensino médio, Ciro tem 57,2% contra 40,9% de Elmano.
Entre eleitores com ensino fundamental, entretanto, o quadro se inverte: Elmano tem 57,8%, contra 36,3% de Ciro.
A clivagem é bastante clara: quanto maior a escolaridade, maior a vantagem de Ciro; quanto menor, maior a força relativa de Elmano.
Não é apenas uma diferença estatística. É uma pista sobre os públicos que cada campanha tende a disputar com maior intensidade.
Renda: Ciro domina as faixas mais altas; Elmano, as mais baixas
A renda familiar reproduz parte dessa divisão.
Ciro alcança 58,1% entre eleitores com renda de R$ 2 mil a R$ 3 mil, 57,0% entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, 64,2% entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 52,5% entre os que ganham acima de R$ 10 mil.
Elmano lidera entre os eleitores de menor renda, com 55,9% entre aqueles que recebem até R$ 2 mil.
Aqui aparece uma das estruturas mais importantes da eleição: Ciro tem uma vantagem socioeconômica mais associada à renda e escolaridade; Elmano tem uma base mais forte entre os estratos de menor renda e escolaridade.
Fortaleza território de Ciro
A geografia também apresenta diferenças fortes. Na Capital, Ciro chega a 62,4%, contra 33,2% de Elmano.
Na região intermediária de Fortaleza, Ciro tem 52,9%, contra 45,7% do governador.
Em Sobral, Ciro marca 52,3% e Elmano, 47,1%.
Já em Juazeiro do Norte, Elmano aparece à frente, com 56,0% contra 37,1% de Ciro.
O mapa, portanto, não é uniforme.
Fortaleza é um dos principais motores da vantagem de Ciro. Juazeiro do Norte aparece como importante território de resistência de Elmano.
O interior, nesse sentido, continua sendo decisivo.
O passado eleitoral explica boa parte do segundo turno
Os cruzamentos com 2022 são talvez os mais politicamente eloquentes.
Entre quem votou em Elmano no primeiro turno de 2022, o atual governador alcança 79,0%, enquanto Ciro fica em 15,8%.
Entre os que votaram em Capitão Wagner, Ciro chega a impressionantes 90,5%, contra 9,0% de Elmano.
Entre os eleitores de Roberto Cláudio, Ciro tem 75,7%, contra 21,2% de Elmano.
Entre quem votou branco ou nulo em 2022, Ciro chega a 84,9%.
E entre quem não votou, Ciro aparece com 69,6%.
A leitura é bastante clara: Ciro consolidou quase integralmente o eleitorado oposicionista que já estava organizado contra o grupo governista em 2022.
Elmano, por sua vez, mantém uma enorme fidelidade entre aqueles que já estavam com ele.
A batalha, portanto, está especialmente nos eleitores que não possuem essa memória política tão cristalizada.
O segundo turno para presidente de 2022 ainda organiza a eleição de 2026
O cruzamento presidencial é ainda mais contundente.
Entre os eleitores que dizem ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, Ciro aparece com 98,2%.
Entre os que votaram em Lula, Elmano chega a 70,9%, enquanto Ciro registra 23,7%.
A divisão é praticamente um espelho:
Bolsonaro → Ciro.
Lula → Elmano.
A eleição estadual ainda carrega, portanto, uma forte dimensão nacional.
Mas há uma diferença importante: Ciro consegue praticamente monopolizar o eleitorado bolsonarista; Elmano não monopoliza na mesma proporção todo o eleitorado lulista.
Isso oferece a Ciro uma vantagem estrutural no campo oposicionista, mas também mostra onde Elmano precisa crescer.
A direita é quase um território exclusivo de Ciro
O cruzamento por posicionamento político produz um dos números mais impressionantes da pesquisa.
Entre eleitores que se identificam como direita, Ciro chega a 90,3%. Na centro-direita, alcança 98,7%. No centro, registra 91,7%.
Elmano domina os segmentos à esquerda: 56,5% na centro-esquerda e 95,5% entre os eleitores de esquerda.
Esse é um dos pontos fundamentais para entender a vantagem de Ciro.
O ex-governador não está apenas capturando a direita tradicional. Ele aparece esmagadoramente à frente também entre centro-direita e centro.
Isso ajuda a explicar por que sua vantagem no segundo turno continua existindo mesmo depois da redução observada desde agosto.
O voto consolidado
É o eleitor que já escolheu seu campo e dificilmente mudará.
Aqui estão, de um lado, o eleitorado de esquerda que sustenta Elmano; do outro, o eleitorado de direita e centro-direita que majoritariamente se concentra em Ciro.
O voto de oposição
Ciro demonstra enorme capacidade de reunir esse eleitorado.
Ele recebe praticamente todo o voto de Wagner e Roberto Cláudio de 2022 e praticamente todo o voto bolsonarista.
O eleitor que ainda pode se mover
É aqui que a campanha entra. No segundo turno, apenas 2,5% dizem não saber e 1,4% apontam branco ou nulo.
É um percentual relativamente pequeno.
Isso significa que a redução da vantagem de 8,6 para 3,9 pontos não parece ter ocorrido simplesmente porque surgiu um enorme contingente de indecisos.
Ela resulta principalmente da movimentação dentro do eleitorado que já escolhe um dos dois.
E esse é um dado politicamente mais relevante. A eleição está mais apertada sem estar empatada
Essa talvez seja a formulação mais precisa para a pesquisa. Não há empate no segundo turno. Ciro lidera. Mas também não há mais a distância confortável registrada em agosto.
O cenário passou de:
53,4% x 44,8%
para:
50,0% x 46,1%.
A diferença caiu de 8,6 para 3,9 pontos.
O movimento não autoriza falar em “virada”. Longe disso. Autoriza, sim, falar em aproximação.
E aproximação, em uma eleição ainda em formação, é um fato político relevante.
A metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Focus Poder ouviu 1.834 eleitores do Ceará, por meio de recrutamento digital aleatório, pelo método Atlas RDR.
A margem de erro é de ±2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A coleta foi realizada entre 28 de agosto e 2 de setembro de 2026.
O levantamento está registrado sob os números CE-02357/2026 e BR-07411/2026.
Os cruzamentos demográficos devem ser lidos como recortes da amostra e não como pesquisas independentes. Quanto menor o segmento analisado, maior a cautela necessária na interpretação dos números.
O retrato em movimento
A nova AtlasIntel não entrega uma eleição virada. Porém, indica algo mais sutil: uma eleição que deixou de parecer confortável para Ciro.
O ex-governador continua liderando, tem enorme vantagem entre direita, centro-direita e centro, domina Fortaleza e absorve quase integralmente os eleitores de oposição de 2022.
Elmano, porém, conserva uma base muito sólida entre eleitores de esquerda, tem enorme fidelidade entre seus eleitores de 2022, lidera entre os mais velhos, entre os de menor renda e escolaridade e apresenta força especialmente relevante em Juazeiro do Norte e, provavelmente, seu entorno.
O dado central é que o governador reduziu a distância sem ultrapassar Ciro. Isso muda a natureza da disputa.
Desta forma, a pergunta já não é apenas se Ciro consegue vencer. É se Ciro consegue interromper o movimento de aproximação de Elmano.
E, do outro lado, se Elmano consegue transformar a redução da diferença em uma tendência persistente.
enfim, pelo que indica o novo levantamento da O retrato mudou. A eleição, agora, será decidida pelo movimento.







