
A nova rodada do Datafolha mostra uma mudança importante no equilíbrio da disputa pelo Governo do Ceará. No cenário estimulado, Ciro Gomes recua de 52% para 46%, enquanto Elmano de Freitas avança de 33% para 37%. Ciro perdeu seis pontos e Elmano ganhou quatro no periodo entre 12 de agosto e 03 de setembro. Com isso, a vantagem de Ciro despenca de 19 para 9 pontos percentuais. O resultado significa uma redução de dez pontos percentuais na distância entre os dois candidatos. A pesquisa é uma encomenda do Grupo O Povo de Comunicação.
Na espontânea, o movimento é ainda mais significativo para Elmano. Ciro passa de 28% para 29%, enquanto Elmano sobe de 20% para 25%. A diferença, que era de 8 pontos, cai para apenas 4 pontos.
O que os números Datafolha dizem
- Ciro: 52% → 46% (-6)
- Elmano: 33% → 37% (+4)
- Vantagem de Ciro: 19 → 9 pontos
- Ciro na espontânea: 28% → 29% (+1)
- Elmano na espontânea: 20% → 25% (+5)
- Diferença na espontânea: 8 → 4 pontos
O dado mais relevante talvez esteja justamente na espontânea: Elmano cresce cinco pontos sem que seu nome seja apresentado ao eleitor. Isso sugere aumento de lembrança e de cristalização da candidatura após o início da campanha.
A virada de tendência
O resultado não significa que Elmano tenha ultrapassado Ciro. Ciro continua liderando, mas a fotografia mudou radicalmente em relação ao Datafolha de agosto. A tendência de apromação dos números dos candidatos nas pesquisas já havia sido antecipada pela pesquisa Focus Poder + Atlasintel, divulgada também hoje. Veja aqui.
Na rodada anterior, Ciro tinha uma vantagem de 19 pontos — uma distância excepcionalmente larga. Agora, ela caiu para 9 pontos. O cenário passa de liderança folgada para liderança ainda existente, mas muito mais vulnerável. Isso é particularmente relevante porque outros levantamentos realizados depois do Datafolha de agosto já haviam mostrado uma corrida muito mais apertada. A Real Time, por exemplo, chegou a registrar empate de 44% a 44% no primeiro turno, enquanto o Ipsos-Ipec apontou 43% a 35%.
2º TURNO — Ciro X Elmano
A vantagem de Ciro desaba de 18 para 8 pontos. É o dado mais forte da nova rodada: em apenas uma medição, Ciro cai 5 pontos, de 55% para 50%, enquanto Elmano cresce 5, de 37% para 42%.
O movimento é simétrico e politicamente relevante:
- Ciro: 55% → 50% (-5)
- Elmano: 37% → 42% (+5)
- Diferença: 18 → 8 pontos (-10)
Ou seja: dez pontos da vantagem de Ciro desapareceram.
O que muda na leitura
O cenário de segundo turno confirma, de maneira ainda mais contundente, a tendência apontada pelo Focus Poder: a eleição está passando por um processo de compressão da vantagem de Ciro.
O mais importante não é apenas a distância atual de 8 pontos, mas a direção das curvas. Ciro vem descendo e Elmano vem subindo. Se esse movimento persistir, a disputa pode rapidamente entrar na faixa de empate técnico.
Há ainda um dado estratégico: Elmano já chega a 42% em um eventual confronto direto, aproximando-se da metade do eleitorado. Ciro, embora ainda lidere com 50%, deixa de ter a margem confortável de 18 pontos apresentada anteriormente. Muito embora Ciro mantenha a liderança, o Datafolha concluiu que o tucano caiu em praticamente todos os segmentos sociais e econômicos.
Contexto metodológico
Na rodada anterior, foram entrevistados 1.022 eleitores em 51 municípios, por abordagem presencial em pontos de fluxo populacional, com margem de erro máxima de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Portanto, é importante não interpretar cada oscilação isoladamente. O que chama atenção aqui é a direção simultânea dos movimentos: Ciro cai seis pontos e Elmano sobe quatro. Mesmo considerando a margem de erro, a redução de dez pontos na distância é politicamente expressiva.
A leitura política
Ciro continua na frente, mas a eleição mudou de patamar. A vantagem de 19 pontos que dava ao ex-governador uma posição confortável encolheu para 9. Ao mesmo tempo, Elmano começa a transformar conhecimento em intenção de voto: cresce cinco pontos na espontânea e quatro na estimulada. O dado que merece ser acompanhado agora é a trajetória. Se a redução da distância continuar nas próximas pesquisas, a eleição cearense deixa de ser uma corrida com favorito claro e entra definitivamente no território da disputa aberta.
Em uma frase: Ciro ainda lidera. Mas Elmano é quem está subindo — e a distância entre os dois caiu pela metade.
Importante: a metodologia do Datafolha é presencial. Ou seja, o pesquisador aborda os eleitores nas ruas da cidade, sempre de acordo com o perfil social e econômico dos eleitores. Já a Atlasintel, que tem parceria com o Focus Poder no Ceará, faz a pesquisa através da abordagem ao eleitor nas redes sociais, convidando-o a responder ao questionário.
Novos nomes, pouca alteração
A entrada de Vera Lúcia (Novo) não alterou o desenho da disputa. Ela aparece com 1%, exatamente o mesmo percentual obtido por Pedro Brito na pesquisa anterior — que desistiu da candidatura e foi substituído por Vera.
Danilo Soares (Democrata) manteve 1%, enquanto Serley Leal (UP) passou a registrar 1%. Delegado Huggo (Missão), que tinha 1% anteriormente, e Zé Batista (PSTU) foram citados, mas não alcançaram 1%. Ieri Braga (PCO), que não aparecia na rodada anterior, não foi citado.
Votos indefinidos crescem
Brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar em nenhum candidato somam 8%, um ponto acima do levantamento anterior. Os indecisos também cresceram um ponto, para 5%.
São 13% do eleitorado que, neste momento, não estão posicionados por nenhum dos nomes apresentados — um contingente que pode ganhar importância à medida que a campanha avançar.
A pesquisa
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores em 59 municípios do Ceará, entre 31 de agosto e 2 de setembro de 2026. A margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números CE-04122/2026 e BR-05635/2026.







