
Um relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central (BC), teria recebido pagamentos recorrentes de R$ 500 mil para repassar informações sigilosas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.
Segundo o documento, um dos pagamentos teria chegado a R$ 760 mil. As informações constam em mensagens trocadas entre o advogado e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela investigação como operador financeiro do ex-banqueiro.
Além dos pagamentos, Belline teria recebido de Vorcaro despesas com almoço, jantar e um guia durante viagem a Paris. O sigilo do relatório, que tem 164 páginas, foi levantado na noite de quinta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF.
Outros benefícios
A PF também aponta vantagens indevidas destinadas a Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do Departamento de Supervisão do Banco Central.
Segundo o relatório, o servidor teria recebido uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, além de ter participado de uma negociação considerada atípica envolvendo um imóvel rural de sua propriedade.
As informações internas supostamente repassadas pelos dois servidores estariam relacionadas às investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias envolvendo o antigo Banco Master.
O documento aponta ainda que Belline e Paulo Sérgio teriam atuado como consultores de Vorcaro, com alinhamento de estratégias, revisão de documentos e reuniões privadas, inclusive na residência do ex-banqueiro.
Mensagens revelam relação
O relatório reúne mensagens que a PF atribui a Vorcaro e aos dois servidores do BC. Em uma delas, Paulo Sérgio encaminha ao ex-banqueiro a portaria de sua nomeação para o Departamento de Supervisão.
Em outro trecho, o servidor afirma que seria prioridade absoluta se encontrar com Vorcaro para discutir interesses relacionados ao Master.
A relação entre os dois funcionários do Banco Central e o ex-banqueiro já havia sido mencionada após a prisão preventiva de Vorcaro. Com a retirada do sigilo, porém, foram divulgados detalhes sobre os supostos pagamentos e benefícios recebidos pelos servidores.
Defesas negam irregularidades
Afastados das funções, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza negam ter repassado informações internas do Banco Central a Daniel Vorcaro. Os dois também afirmam ter como comprovar que despesas com viagens e outras vantagens foram pagas com recursos próprios.
Até o fechamento desta matéria, as defesas não haviam se manifestado sobre as suspeitas apontadas pela Polícia Federal.






