Comunicado do Copom foi ‘resposta política’ a governo, diz secretário

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Foto: Câmara dos Deputados

O teor do comunicado divulgado na quarta-feira, 22, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – sem uma sinalização sobre o início de queda da Selic e com a repetição da “ameaça” de voltar a aumentar a taxa básica de juros em caso de descontrole da inflação – foi encarado pela equipe econômica como uma “resposta política” do Banco Central às críticas do governo à atual política monetária. A avaliação é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.

“Não digo que me surpreendi com a decisão (que manteve a Selic em 13,75% ao ano), que muita gente já esperava. Fiquei um pouco preocupado com a comunicação. Em algum momento, parece que o BC quis tomar uma posição quase que política: ‘Diante das críticas, eu faço isso’. Não sei se o comunicado se presta a isso. Tanto que os próprios agentes do mercado olham aquilo e dizem que isso não vai acontecer, isso é retórica. Não sei se é o formato mais adequado”, criticou Mello, ao Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

O secretário afirmou não encontrar “argumentos técnicos” que justificariam uma nova elevação da Selic, uma vez que o Brasil já tem a maior taxa de juros real do mundo. “Alguns analistas dizem que o BC coloca isso no comunicado só para marcar posição. A dúvida é se o comunicado do Copom é um espaço para mandar recados. Ou se é um espaço para avaliar o cenário e colocar os fatores que levaram a tomar uma decisão. Eu lamento o que aconteceu”, criticou.

Enquanto o BC segue preocupado com o aumento das expectativas de inflação em prazos mais longos, Mello listou uma série de fatores que, na sua visão, possibilitariam uma redução imediata da Selic. “Não temos uma inflação acima da média mundial; não estamos tão distantes da meta, como outros países; começamos antes o ciclo de aperto monetário, mantivemos esse ciclo de aperto mais tempo e isso já está impactando o mercado de crédito; não temos pressão no mercado de trabalho; não temos nenhum choque externo de commodities pressionando preços livres ou administrados. Se você olha o conjunto de fatores, há espaço para esse País reduzir juros”, argumentou.

Fatores de risco

No comunicado que se seguiu à última decisão de política monetária, o Copom enfatizou que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

O colegiado até citou a reoneração dos combustíveis como responsável por reduzir a incerteza sobre os resultados fiscais de curto prazo, mas disse que permanecem alguns fatores de risco: a maior persistência das pressões inflacionárias globais; as dúvidas sobre o novo arcabouço fiscal no País e seu impacto na trajetória da dívida pública; e um aumento das expectativas de inflação para prazos mais longos.

Na semana passada, a própria equipe econômica apresentou projeção de 5,31% para o IPCA de 2023 e de 3,52% para 2024. As estimativas são inferiores às do mercado no Boletim Focus (5,95% e 4,11%, respectivamente) e do próprio Copom (5,8% e 3,6%, nessa ordem).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

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