
A 16 dias do primeiro turno, disputa pelas duas vagas ao Senado mostra três candidatos concentrando o eleitorado. Cid Gomes tem 24%, Capitão Wagner, 21%, e Luizianne Lins, 18%; os três estão dentro da margem de erro. A nova rodada do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (18), mostra uma disputa bastante concentrada pelas duas cadeiras do Ceará no Senado. Cid Gomes (PSB) aparece numericamente na frente, com 24%, seguido por Capitão Wagner (União Brasil), com 21%, e Luizianne Lins (Rede), com 18%.
O levantamento foi contratado pelo O POVO e ouviu 1.204 eleitores entre 14 e 17 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O placar
| Candidato | Intenção de voto | Variação |
|---|---|---|
| Cid Gomes (PSB) | 24% | = |
| Capitão Wagner (União Brasil) | 21% | +1 |
| Luizianne Lins (Rede) | 18% | +1 |
| Alcides Fernandes (PL) | 9% | +1 |
| Catarina Matos (UP) | 2% | = |
| Guilherme Theophilo (Novo) | 2% | -1 |
| Lino Alves (PCO) | 1% | = |
| Reginaldo Ferreira (PSTU) | 1% | -1 |
| Branco/nulo/nenhum | 13% | -1 |
| Indecisos | 9% | -2 |
Como serão eleitos dois senadores pelo Ceará, o eleitor pode indicar dois nomes. Por isso, os percentuais não devem ser somados como se representassem uma eleição de uma única vaga.
Cid permanece no topo
O dado mais evidente é a estabilidade de Cid Gomes.
O senador mantém os 24% registrados no levantamento anterior, divulgado em 3 de setembro. Capitão Wagner, por sua vez, passa de 20% para 21%, enquanto Luizianne Lins avança de 17% para 18%.
Ou seja: não houve mudança estrutural no topo da corrida no intervalo de duas semanas. Os três primeiros permanecem os mesmos e os movimentos registrados estão dentro da faixa de oscilação da pesquisa.
Há, porém, um aspecto político relevante na fotografia: as duas chapas que disputam o Governo do Ceará colocam nomes entre os três primeiros colocados para o Senado.
Cid e Luizianne integram a composição do campo de Elmano de Freitas. Capitão Wagner disputa pelo grupo liderado por Ciro Gomes.
Um empate técnico triplo?
Tecnicamente, a fotografia é mais complexa do que a ordem numérica sugere.
Cid, com 24%, e Wagner, com 21%, estão empatados dentro da margem de erro.
Wagner e Luizianne, com 21% e 18%, também estão em empate técnico.
Já a diferença entre Cid e Luizianne é de seis pontos percentuais. Como a margem máxima é de três pontos, o Datafolha considera estatisticamente pouco provável o empate entre os dois, embora a pesquisa não permita tratar a distância como uma medida exata da vantagem.
Na prática, portanto, a pesquisa apresenta Cid isolado numericamente na primeira posição, mas com Wagner dentro da margem de erro; e Wagner e Luizianne igualmente próximos.
É uma configuração que torna a disputa pelas duas vagas particularmente sensível à distribuição do chamado segundo voto.
O segundo voto é a chave
A pergunta do Datafolha permite até duas respostas por eleitor: “Em qual candidato você votaria para a primeira vaga? E em qual você votaria para a segunda vaga?”
Isso produz uma dinâmica diferente daquela de uma eleição majoritária de uma única cadeira.
Um candidato pode aparecer com percentual elevado porque consegue reunir primeiros e segundos votos de diferentes grupos políticos. Outro pode ter uma base mais concentrada e depender mais da capacidade de converter o segundo voto.
É justamente aí que a eleição para o Senado começa a se separar da disputa pelo Governo.
A composição das chapas também ajuda a explicar a sobreposição: Cid e Luizianne estão no mesmo campo eleitoral, enquanto Wagner está na chapa de Ciro.
A série mostra estabilidade — com pequenos movimentos
Comparando com a pesquisa anterior, de 3 de setembro:
Cid: 24% → 24%
Wagner: 20% → 21%
Luizianne: 17% → 18%
Alcides: 8% → 9%
As quatro principais candidaturas, portanto, oscilaram apenas um ponto, ou permaneceram estáveis.
Também chama atenção a redução dos eleitores que ainda não definiram o voto: os indecisos caíram de 11% para 9%, enquanto branco/nulo/nenhum passou de 14% para 13%.
Isso significa que, à medida que a eleição se aproxima, uma parcela do eleitorado começa a consolidar suas escolhas. Mas 22% ainda estão fora dos nomes apresentados no topo da pesquisa, considerando indecisos e branco/nulo/nenhum.
A disputa não é apenas entre três nomes
Alcides Fernandes aparece em quarto, com 9%, três pontos acima do resultado anterior.
Embora esteja distante numericamente do trio da frente, sua presença é relevante porque representa um candidato associado ao mesmo campo político de Ciro e Capitão Wagner. O deputado estadual oscilou de 8% para 9%.
A questão que permanece aberta é quanto do eleitorado que hoje se encontra entre indecisos, branco/nulo e candidaturas de menor percentual ainda poderá migrar para os candidatos mais competitivos.
A fotografia do Senado e a fotografia do Governo
A pesquisa divulgada nesta sexta-feira tem um elemento adicional de interesse: ela vem acompanhada da nova fotografia da disputa pelo Governo do Ceará.
No mesmo Datafolha, Ciro Gomes aparece com 47%, contra 40% de Elmano de Freitas.
O contraste é significativo do ponto de vista eleitoral, sem necessariamente significar transferência automática de votos.
No Governo, Ciro e Elmano polarizam a disputa. No Senado, a fotografia é mais fragmentada: Cid, Wagner e Luizianne concentram as maiores intenções de voto.
É uma demonstração de que o eleitor cearense pode construir combinações próprias entre as duas escolhas.
Vá mais fundo
A pesquisa Datafolha não aponta uma corrida linear de um candidato contra outro. Ela revela uma disputa por duas vagas em que três nomes estão próximos o suficiente para que a campanha, os debates, as alianças e principalmente a formação do segundo voto tenham peso na fotografia final.
E há uma peculiaridade que merece ser acompanhada até 4 de outubro: Cid mantém 24% mesmo em um cenário no qual seu irmão, Ciro, disputa o Governo contra o candidato ao lado de quem Cid concorre ao Senado.
A pesquisa mostra, portanto, uma eleição em que as chapas do Governo e do Senado se cruzam, mas não necessariamente reproduzem o mesmo mapa de preferências.
Com 16 dias para o primeiro turno, o Datafolha registra estabilidade no topo e uma disputa numericamente apertada entre os três primeiros. A urna, como sempre, será outra fotografia — definitiva.







