Ibuprofeno, paracetamol e… Paracetamol, ibuprofeno e… Não consigo lembrar o nome do terceiro dos medicamentos mais comuns para dor de cabeça. Ideal mesmo seria não estar com dor de cabeça, e não precisar de nenhum deles. O fato, porém, é inevitável, e a ele preciso me curvar. Para aliviar a cefaleia – o nome erudito para a pressão que me aperta as têmporas e que distribui agulhadas em pontos específicos do crânio –, recorro à farmacinha doméstica.
Sei que um dos três faz mal ao estômago. Ou ao fígado. Ou aos rins. Um deles – talvez até mesmo os três –, de alguma maneira prejudicam outros órgãos, à livre escolha. O que deveria entrar em nosso sistema e seguir direto para amenizar e acalmar o que acontece nas terminações nervosas da cabeça, prefere tomar caminhos alternativos, por vontade própria, e passar a agredir órgãos igualmente nobres.
Sei que um deles afina o sangue, facilita hemorragias. Outro bloqueia a prostaglandina – seja lá o que isso for. Um terceiro pode acionar processo alérgico grave. E isso porque consegui entrever, com olhos semifechados, apenas parte da longa lista dos efeitos colaterais que podem causar em seus pacientes.
Reviro a gaveta dos remédios procurando algum que contenha ibuprofeno, ou paracetamol, ou aquele terceiro componente cujo nome foi engolido pela agonia que me consome.
Encontro remédios para outros males, com período de validade expirado no ano passado. Ou no ano anterior. Encontro até mesmo medicamentos vergonhosamente vencidos no distante ano de 2018, o que não sei dizer se é algo bom ou mal. Pode ser bom, porque não tive necessidade deles: a saúde prevaleceu, e eles não se fizeram necessários. Por outro lado, foi mal ter desperdiçado dinheiro para utilizar um ou dois comprimidos, uma ou duas doses de uma caixa que vai para o lixo.
Aliás, a dor de cabeça aumenta quando penso no destino a dar a esses remédios desprovidos de seus poderes curativos. Jogar em um saco de lixo como estão nas embalagens é um risco, infelizmente. Jogar pílulas, pós e xaropes pelo ralo da pia, e deixar que se incorporem ao sistema de esgotamento sanitário, é danoso ao lençol freático. Despejar no sanitário é outra dor de cabeça ao meio ambiente, com o risco de envenenar a preciosa vida marinha.
Li sobre isso outro dia. Na matéria havia decerto uma solução para o melhor destino a dar aos remédios descartados, mas o latejar da minha cabeça não me permite lembrar qual era.
Paracetamol, ibuprofeno e… Não que eu os utilize com frequência. Aliás, praticamente não preciso de remédios para dor de cabeça, exceto em dias como o de hoje. Tempo demais em telas causa essas dores retumbantes. Óculos desajustados, com a lente ou as hastes em desalinho, também são outra causa.
E isso para não falar na sequência de problemas e dificuldades inerentes à vida humana, que de repente resolveram orbitar em torno do meu dia, em um modo de agressão que parece até resultante de uma conspiração entre os fatos.
Humilhada, recorro ao sempre presente Dr. Google para saber o nome do terceiro combatente das dores de cabeça. Dipirona é o nome que havia fugido da minha memória. Ruim por ruim, tomo com um gole de água o primeiro que encontro. São situações sem remédio, mas só vou me preocupar com elas quando a dor de cabeça for embora.
Angela Barros Leal é jornalista, escritora e colaboradora do Focus Poder desde 2021. Sócia efetiva do Instituto do Ceará.







