Fachin vota contra limitar poderes das defensorias; julgamento é suspenso

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Foto: Carlos Moura/SCO/STF.

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, abriu nesta sexta-feira, 12, o julgamento aguardado por defensores públicos de todo País com voto contrário à tentativa do procurador-geral da República Augusto Aras de limitar os poderes do sistema que visa garantir acesso à Justiça aos mais pobres.

A análise do caso, no entanto, acabou sendo suspensa com pedido de vista (mais tempo para avaliação do caso) feito pelo ministro Alexandre de Moraes.

Às véspera do julgamento, defensores intensificaram a mobilização contra a ação impetrada por Aras, tendo o assunto figurado em segundo lugar dos assuntos mais comentados do Twitter nesta quinta-feira, 11.

Personalidades como a deputada Jandira Feghali, o senador Randolfe Rodrigues, o advogado Augusto Botelho e até a vencedora do BBB Juliette abordaram o tema em suas redes sociais.

Entre interlocutores da classe, a expectativa era a de que a análise do caso – com a rejeição da ofensiva do PGR – fosse concluída rapidamente. Com o pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, o julgamento é suspenso por tempo indeterminado e só é retomado quando o magistrado devolver a ação.

Uma das entidades que participam da ação como “amigas da corte”, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos afirmou que se reuniu com ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, para tratar sobre a importância do poder de requisição para as Defensorias Públicas.

“Entendemos que o pedido de vista pode ser uma alternativa para os ministros avaliarem com maior tempo e atenção essa pauta, a partir do voto do ministro Fachin que respeitou a autonomia das Defensorias Públicas, bem como a análise da prerrogativa como instrumento de ampliação do acesso à justiça aos vulneráveis”, indicou a presidenta da Anadep, Rivana Ricarte.

Em seu voto, Fachin destacou que “não há como se acolher” o pedido de Aras para retirar da alçada dos defensores o poder de requisitar a autoridades públicas e agentes do Estado documentos que julguem úteis para municiar processos, como certidões e perícias. O ministro classificou tal prerrogativa da Defensoria como “verdadeira expressão do princípio da isonomia, e instrumento de acesso à justiça, a viabilizar a prestação de assistência jurídica integral e efetiva da Constituição Federal”

Segundo o relator, retirar da Defensoria o poder de requisição implicaria na criação de obstáculo à atuação do órgão, comprometendo não só sua ‘função primordial’, mas também a autonomia que lhe foi garantida.

“O poder de requisitar de qualquer autoridade pública e de seus agentes, certidões, exames, perícias, vistorias, diligências, processos, documentos, informações, esclarecimentos e demais providências necessárias ao exercício de suas atribuições, foi atribuído aos membros da Defensoria Pública porque eles exercem, e para que continuem a exercer de forma desembaraçada, uma função essencial à Justiça e à democracia, especialmente, no tocante, a sua atuação coletiva e fiscalizadora”, destacou o ministro.

Na avaliação de Fachin, considerando o atribuído à Defensoria Pública pela Constituição Federal, a mesma não deve ser equiparada à advocacia, estando mais próxima ao desenho institucional atribuído ao Ministério Público.

“Entendo que a missão institucional da Defensoria Pública na promoção do amplo acesso à Justiça e na redução das desigualdades, impede a aproximação pretendida pelo requerente com a Advocacia. Nesse sentido, assim como ocorre com o Ministério Público, igualmente legitimado para a proteção de grupos vulneráveis, os poderes previstos à Defensoria Pública, seja em sede constitucional – como a capacidade de se autogovernar- ou em âmbito infraconstitucional – como a prerrogativa questionada de requisição – foram atribuídos como instrumentos para a garantia do cumprimento de suas funções institucionais”, destacou Fachin.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Ceará consolida elite da educação brasileira no Ideb; Brasil segue sem atingir metas do ensino médio

TRE rejeita tese do relator e mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes

Quaest abre vantagem para Ciro, mas a campanha ainda reserva muitas variáveis

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

A chapa dos sonhos do governismo no Ceará

Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

Ceará como um dos elos da nova cadeia automotiva mundial e a bad trip da nossa política

O silêncio de Cid Gomes não é dúvida. É método.

MAIS LIDAS DO DIA

Pix e PM viram “ilhas de confiança” no Brasil polarizado, diz Quaest

Lula mantém vantagem no Nordeste, mas Flávio cresce no Sul e entre homens, aponta Quaest