
É conhecida a verve de Churchill, que tinha uma ironia para cada ocasião, como, por exemplo, quando disse, após vencer Hitler e perder uma reeleição, que “a vantagem da política sobre a guerra é que na política se pode morrer muitas vezes”.
A passagem veio à lembrança agora, ao ler notícias sobre o processo eleitoral no Ceará deste ano, tablado onde atua um numeroso elenco de lázaros ressuscitados – e, calma: é só uma metáfora para manter sua atenção.
Pois vejamos. Em não muito distante eleição, Roberto Cláudio concorria à prefeitura de Fortaleza e, por imperativo estratégico, foi preciso simplesmente dar sumiço nos seus principais apoiadores, Ciro e Cid Ferreira Gomes, porque as pesquisas de opinião indicavam um percentual tóxico de rejeição popular a ambos. Não faltaram incautos para lhes dar extrema unção.
Hoje, o que se vê? O oposto. Ciro Gomes é candidato a governador com elevados percentuais de intenção de votos na largada e seu irmão, Cid Gomes, foi nome dado como indispensável na composição da chapa governista, avaliação confirmada pelos mesmos institutos.
Quer mais? Observe o que se passa com Luizianne Lins. Chegou a se desfiliar do PT, sua casa desde sempre, por falta de espaço interno compatível com a expressão de sua liderança e, ao recomeçar sua caminhada na trilha alternativa da Rede, viu seu nome içado em combustão espontânea, com amplo e diversificado apoio social, para a candidatura majoritária ao senado.
Assim é a política e, para quem quiser compreendê-la no aspecto que se destaca neste artigo, a receita é antiga: os conceitos de Virtú e Fortuna no tratado clássico de Nicolau Maquiavel podem ajudá-lo a compreender como coisas assim acontecem. E acontecem frequentemente.







