O efeito da inércia e a influência política; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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Arthur Lira cercado de deputados federais. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputado

“A história do Brasil é um romance sem heróis”, Raymundo Faoro

“Police-thinking is and must be causality-thinking”, Robert A. Dahl

“Poder” e “Influência” são conceitos seminais da ciência política, em uma perspectiva comportamental, à margem do viés regulatório do direito constitucional.

Poder, “é a imposição da vontade de uma pessoa ou instituição sobre os indivíduos”, diria Max Weber.

A Influência, dar-se-ia “pela capacidade de fazer com que outras pessoas tomem qualquer decisão ou exerçam ação, sem as quais não ocorreriam”. Lipset, Dahl, Verba, Lazarsfelt e Weber sugeriram essa explicação, com alguma variação teórica especiosa.

Estas proposições pretensiosas de cunho acadêmico foram trazidas a este texto vulgar e contingente, a propósito de situações singulares. “Lira, fora da presidência da Camara dis Deputados continua a dispor de grande influência sobre os seus pares”, sentenciam os comentaristas da mídia.

A capacidade de “exercer influência”tem prazo de validade? Quando se esgota a capacidade de um “influente” para justamente influenciar ou induzir pessoas a tomar decisões ou desenvolver ações?

A “autoridade”, assim como a influência, consideradas as suas especificidades e as injunções a que respondem, são reconhecidas e obedecidas em um quadro de lealdades e proteção. No primeiro caso, a aceitação do poder e o reconhecimento da capacidade de influir, confere legitimidade a quem o pratica e legítima a coerção exercida.

A “influência política” completa-se na medida da disponibilidade das reservas de “recursos politicos” (outro conceito relevante) que possam ser utilmente empregados.

Influente, em sentido mais amplo, seria aquele que, pela força ou ameaça latente de um poder eminente, induz o comportamento de terceiros, seja por lealdade explícita ou pelo medo e submissão às precedências de uma relação dissimuladamente autoritária. Ou por simples aliciamento como sempre fizeram as oligarquias, no espaço gregário de laços de proteção e lealdade.

Então, onde moram, de fato, as reservas de autoridade, influência e poder de um político, privado das benesses do fundo partidário, de cargos proeminentes e de votos amestrados?

Por último, permitam-me uma indagação idiota: para que nuvens de querubins partem os políticos e governantes sem mandato, privados dos seus direitos políticos e das fontes do seu prestígio e influência? Ou, por mera derivação lógica, como ocorre a transferência de poder e influência entre atores concorrentes no espaço político?

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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