
Átila Varela
atila@focuspoder.com.br
O cearense está mais poupador, assistindo mais filmes e séries, além de querer investir em si quando a pandemia da COVID-19 passar. É o que revela uma pesquisa inédita da agência local EBM Quintto com base nos hábitos de consumo da nossa população.
Não é novidade que as medidas de distanciamento resultassem no fechamento de bares, restaurantes e shopping centers. O dinheiro deixou de circular nesses locais, o que fez com que o público comprasse menos. Cerca de 81,6% disseram que começaram a economizar. Outros 18,4% informaram que não.
“Existem duas linhas. A primeira é a de que eu preciso sobreviver, comprar apenas o necessário. O que for supérfluo, descarto. Um sapato, uma roupa de marca acabou ficando em segundo plano. Mas é bom lembrar também que há falta de oportunidade do gasto. Mesmo que o shopping estivesse aberto, ninguém iria frequentar”, ressalta o sócio-proprietário da EBM Quintto, Duda Brígido.
“No segundo caso, aquele costume de sair para comer caranguejo na quinta-feira foi interrompido. Está todo mundo economizando. Na Região Metropolitana, as pessoas deixaram de consumir pois não há para onde ir”, complementa.
Vamos ficar mais “seguros” com o dinheiro? Duda acredita que apenas em um primeiro momento. “Vai ser um ‘novo normal’. Acredito que em um primeiro momento as pessoas vão experimentar o gosto da economia. Mas, por outro lado, existe também aquela vontade de encontrar a família, ficar junto em uma mesa no restaurante, realizar um programa de lazer. Muita gente anseia por isso e acredito em um retorno bem razoável da economia nesse aspecto”, pontua.
A pesquisa também aponta que 81,3% dos consumidores mudaram seus hábitos de compra. Em resumo, aquela marca de produto mais cara antes consumida acabou sendo substituída por uma mais em conta. O uso do delivery também aumentou. 72% adotaram o serviço contra 28% que seguem os modelos tradicionais de compra. Para 54,4% dos entrevistados, fazer pedidos uma vez por semana é o essencial. Outros 23,7% responderam que utilizam de três a cinco vezes por semana.

Entretenimento
O que o cearense mais faz no isolamento social no âmbito do entretenimento? Assiste filmes e séries. 76,7% afirmaram que mantêm o hábito. Outros 39,4% preferem shows, vídeos e apresentações artísticas em streaming. O que mais chama atenção, no entanto, são as videochamadas com amigos e familiares, com 32,9% das respostas.
“As pessoas, mesmo distante, continuam socializando com os amigos da faculdade, do trabalho. Enquanto isso não se materializa, usa-se as videochamadas. Cada um com sua cerveja, seu vinho e, pela internet, confraternizaram. É o hoje de quem quer fazer isso amanhã”, explica Duda.
Investir em educação
Se os hábitos de consumo do cearense vão mudar, a bola da vez no pós-pandemia será o investimento em estudos. “Muita gente tem falado que não vai sair do mesmo jeito que entrou na quarentena. As pessoas vão querer melhorar em todos os aspectos, não somente o intelectual, mas também pensando em procedimentos de saúde ou estéticos”, revela o empresário.

No pós-pandemia, com o fim do isolamento social, 52,5% das pessoas querem investir em cursos e capacitações. Outros 26% pensam em viajar. Há quem queira comprar algum equipamento eletrônico (PC, notebook, tablet, etc), totalizando 24,8% das respostas. Procedimentos de saúde ou estético: 15%,
Metodologia
A pesquisa da EBM Quintto foi realizada em ambiente digital, com 1.795 internautas de 120 bairros de Fortaleza, além de 13 cidades da Região Metropolitana (entre elas Maracanaú, Aquiraz, Eusébio e Itaitinga). O levantamento ocorreu de 30 de abril a 4 de maio. O índice de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2,3 pontos percentuais.







