A concorrida disputa ao Senado no Ceará; Por Ricardo Alcântara

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O plenário do Senado retratado com lente especial.

Já se desenha nas eleições de 2026 do Ceará um cenário singular, referente às duas vagas para o Senado Federal: um grande número de pré-candidatos em busca de conquistar boas condições de disputa nos blocos partidários. Há nomes com boa penetração no eleitorado da região metropolitana (Pastor Alberto, Luizianne Lins, Capitão Wagner) e outros, com base mais ampla nos municípios do interior (Júnior Mano, Eunício Oliveira, José Guimarães).

Pastor Alberto Fernandes (PL) compartilha com Luizianne Lins (Psol/Rede) a característica comum de serem representação emblemática dos eleitores mais autênticos de seus grupos ideológicos, bolsonaristas e esquerdistas, o que também confere a ambos uma correspondente taxa de rejeição muito elevada, enquanto Capitão Wagner tenta, em sua aliança com o ex-tudo Ciro Gomes, dar continuidade à sua gradual migração para o centro de uma direita moderada.

Entre aqueles outros, os que fincaram bases mais sólidas no interior do estado, as condições de disputa são muito distintas. Júnior Mano e José Guimarães são postulações mais, digamos assim, polêmicas e por razões de natureza diversas. Os questionamentos a ambos começam dentro de seus próprios partidos: a crítica a Júnior Mano se deve à nenhuma identificação real dele com o Lulismo que lidera, como fator estratégico, a articulação na frente governista. É visto como “um estranho no ninho”. Já no caso de Guimarães, identidade programática há de sobra (é um retrato falado do Lulismo em muitos aspectos) e as restrições são outras: a elevada rejeição consolidada por uma má gestão de sua própria imagem em face de episódios que o estigmatizam até hoje e turvam o brilho de sua trajetória.

Já o terceiro nome desse subgrupo, Eunício Oliveira, não encontra grande resistência interna, dentro do bloco partidário governista, à sua postulação. O emedebista Eunício não apenas tem um histórico de alinhamento ao Lulismo como também uma relação estável com lideranças municipais de centro e centro direita. Ou seja, tem muitos amigos e é inimigo de poucos (ainda que ferozes).

É um quadro muito favorável a ele no contexto de uma disputa onde cada eleitor poderá indicar até dois nomes para voto na urna eletrônica – um modelo que tende a favorecer muito a quem tem identidade definida, mas com perfil mais abrangente, menos segmentado, e pode ser, mais do que outros concorrentes, o “segundo voto” de uma faixa mais ampla de eleitores, considerando aqui somente esses nomes cuja pretensão à disputa senatória já está declarada, e não com base em rumores.

Todos os seis nomes postos são viáveis. Contudo, é cedo, pois outros nomes poderão surgir e a composição das chapas poderá favorecer a uns mais do que a outros. Candidatos ao senado poderão, inclusive, concorrer em chapa avulsa, sem aliança formal com candidaturas ao governo. No entanto, com o retrato de hoje, isso é o que nos parece mais seguro afirmar agora.

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus.

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