
Pacote: O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo conjunto de medidas para frear o avanço da inadimplência. A estratégia combina o relançamento do Desenrola com mudanças nas regras do crédito consignado.
Desenrola 2.0: A nova fase será realizada como uma mobilização nacional de 90 dias para renegociação de dívidas, por meio de medida provisória enviada ao Congresso. O programa amplia o alcance e passa a atender pessoas com renda de até cinco salários mínimos.
Condições: O modelo prevê descontos entre 30% e 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e limite de até R$ 15 mil por pessoa. Também será permitido usar até 20% do saldo do FGTS, ou até R$ 1 mil, para quitar dívidas, desde que haja desconto mínimo.
Crédito novo: A iniciativa inclui concessão de crédito com garantia do governo, permitindo a substituição de dívidas antigas por condições mais favoráveis. Participantes poderão ter restrições ao uso de plataformas de apostas por até um ano, e instituições financeiras deverão retirar dívidas de até R$ 100 dos cadastros negativos.
Consignado: Entre as mudanças, está a redução da margem consignável de 45% para 40%, com queda gradual até 30% em cinco anos. O pacote também restringe cartões consignados, considerados mais caros, e amplia prazos de pagamento.
Prazos: Os financiamentos poderão chegar a 108 meses para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social e a 120 meses para servidores públicos, além de prever carência de até 90 e 120 dias, respectivamente.
Abrangência: O programa foi dividido em quatro frentes: renegociação de dívidas de consumo, crédito estudantil (Fies), apoio a micro e pequenas empresas e regularização de débitos rurais. No Fies, os descontos podem chegar a 99% para inscritos no CadÚnico.
Cenário: O relançamento ocorre em meio a um quadro de inadimplência recorde. Dados da Serasa indicam que o país atingiu 82,8 milhões de pessoas negativadas em março de 2026.
Histórico: Na primeira edição do Desenrola, encerrada em 2024, cerca de 15 milhões de brasileiros renegociaram R$ 53 bilhões em dívidas, resultado considerado relevante, mas insuficiente para reduzir estruturalmente o número de inadimplentes.






