Como obter a resposta desejada de uma pesquisa eleitoral; Por Paulo Elpidio de Menezes Neto

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“Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”, Otto von Bismarck

O ministro Toffoli pretende ignorar algumas implicações que comprometem metodologicamente as pesquisas de opinião e as entrevistas interlocutórias. E põem em risco a sua segurança e credibilidade. Ou, no pior das hipóteses, fortalecem o poder de intervenção, no caso de consultas eleitorais, do Estado sobre o conteúdo absoluto da urna eletrônica.

Na antropologia, os estudos de comunidade tornaram-se, nos anos 40/50, práticas correntes no meio acadêmico americano. A antropologia física cedeu caminho à antropologia social (os franceses chamaram-na de antropologia cultural) com forte viés comportamental e um certo desinteresse pelas sociedades primitivas.

Nas pesquisas de comunidade, assim como nas entrevistas, o “questionário”, o rol de perguntas e a sua formulação, despertaram, sempre, nos pesquisadores e nos aplicadores da consulta, cuidados éticos justificáveis.

A formulação da “pergunta” em situações diversas e em relação ao seu conteúdo apresenta o risco de indução da resposta. Em outras palavras, a pesquisa pode sugerir a “resposta”, condicionamento inaceitável sobretudo qusnto às suas cinsequência no plano político-eleitoral.

Na cultura do eleitor brasileiro, alimentada pelo poder das oligarquias e pela persuasão da nova militância ideológica, “ninguém vota para perder”. As pesquisas sugerem e convencem o eleitor sobre quem “vai perder” ou “ganhar” a eleição e o salvam em boa hora de “perder o voto”

O teor das “questões”, para que sejam aplicadas sem interferência sobre a resposta provocada, pressupõe cuidadosa avaliação prévia por especialistas isentos e autônomos — acima de qualquer suspeita.

Tais cuidados valem tanto para o repórter quanto para o pesquisador que investiga e consulta amostras representativas da opinião.

Esses procedimentos não se atêm exclusivamente ao âmbito da verificação jurídica; é procedimento consagrado no sofisticado aparato da metodologia e das técnicas de pesquisa, nas ciências sociais e em outras ciências.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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