
“Escrever é uma questão de colocar acentos”, Machado de Assis
“A Internet é um meio de comunicação, de interação e de organização social”, Manuel Castells
Por Paulo Elpidio de Menezes Neto
“Criador de conteúdo digital” é a designação “up to date” de…escritor, como foi, no passado “bardo” como tradução de poeta.
Escriba e copista eram palavras empregadas para os que escreviam ou copiavam textos para leitura. Com essa técnica revolucionária, surgiu a escrita e o papel, freito de papiro e pergaminho. Com o oassar do tempo, a copia caligráfica cedeu lugar aos tipos móveis e à impressão.
Os monastérios e o “scriptorium” foram, antes da tipografia e da universidade, o laboratorio da escrita, onde a oralidade era submetida a uma complexa operação “trans” de conversão de vozes em códigos, de som em palavras.
Pois bem, “criador de conteúdo digital” seriam, por tempos tão remotos, Shakespeare e Cervantes. E Paulo, o apóstolo, na sua faina de registrar depoimentos orais dos apóstolos e de outras fontes de referência, nas suas Cartas aos Ímpios.
A Bíblia é um empreendinento editorial revelador. Gutenberg sabia o que estava a fazer e o que representava a fixação do pensamento em uma prisåo definitiva.
Para Umberto Eco, o papel, textualizado na tinta e na impressão, e organizado em incunábulos, seriam as “páginas infinitas” da Internet.
Desde Homero, não se vira, entretanto, cometimento de tamanho relevo quanto a Biblia. O Alcorão e o Talmude, os Vedas e o Bhagavad Gita marcaram os fundamentos da fé, no Oriente Médio, na India e na Ásia… O Livro Vermelho de Mao e o “Capital” de Marx carimbariam as novas ideologias fugidas mercê do descuido ou da bia fé dis filósofos.
“Criadores” de conteúdos digitais tornamo-nos nós, nos smartphones, no computador e nas páginas da Web, com as nossas “fake news”, animados pelos espasmos de uma nova cultura “woke” e assaltados pelo identitarismo “queer” de um “brave new world”.






