Mudança na comprovação de renda pode facilitar acesso à casa própria e ampliar público do Minha Casa, Minha Vida

A CAIXA passou a reconhecer como formal a renda de trabalhadores de aplicativos de mobilidade e delivery para fins de análise de crédito imobiliário. A mudança permite que esses profissionais comprovem seus ganhos por meio de extratos de recebimentos fornecidos pelas próprias plataformas.
Por que importa: a nova regra pode abrir o mercado de financiamento imobiliário para milhões de trabalhadores que têm renda recorrente, mas encontravam dificuldades para comprová-la pelos mecanismos tradicionais.
Segundo o dado mais recente do IBGE, 1,7 milhão de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais no terceiro trimestre de 2024. O número representa 1,9% da população ocupada no setor privado e cresceu 25,4% em relação a 2022.
Desse total, 704 mil trabalhavam com aplicativos de transporte particular de passageiros e outros 589 mil atuavam em plataformas de entrega de comida e produtos.
Novo público para o mercado imobiliário
A mudança ocorre em um momento de expansão das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida, que passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, incluindo a modalidade Classe Média.
Para a CR Duarte, construtora especializada no segmento, a nova forma de comprovação pode aproximar trabalhadores de aplicativos do financiamento habitacional.
“Existe uma parcela significativa de trabalhadores que possui renda recorrente, tem movimentação financeira todos os meses, mas tinha dificuldade para comprovar esses recursos pelos modelos tradicionais”, afirma Clausens Duarte, diretor-presidente da CR Duarte.
Segundo ele, a documentação fornecida pelas plataformas pode colocar esses profissionais no radar do mercado imobiliário.
As faixas de renda
Atualmente, a CAIXA considera:
- Faixa 1: renda familiar de até R$ 3.200;
- Faixa 2: até R$ 5 mil;
- Faixa 3: até R$ 9.600;
- Classe Média: até R$ 13 mil.
A comprovação da renda de aplicativos, porém, não significa aprovação automática do financiamento. A CAIXA continua avaliando a capacidade de pagamento e as demais condições da operação.
No financiamento habitacional, a prestação pode comprometer até 30% da renda familiar bruta, conforme as regras aplicáveis ao contrato.
O ponto central: uma renda que antes era tratada como informal passa a ter uma documentação específica aceita na análise da CAIXA. Para o setor imobiliário, isso pode significar a entrada de um novo contingente de potenciais compradores no mercado de imóveis.






