Com o novo Captiva PHEV, Ceará entra no mapa da nova estratégia global da GM

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A Captiva PHEV é o terceiro modelo eletrificado da Chevrolet montado no Ceará em menos de um ano. (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Captiva PHEV será o terceiro Chevrolet eletrificado montado em Horizonte e reforça a transformação da antiga fábrica da Troller em plataforma automotiva multimarcas

A General Motors vai produzir ainda em 2026 o Chevrolet Captiva PHEV na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte. Será o primeiro híbrido plug-in da Chevrolet montado no Brasil e mais um passo na transformação da antiga fábrica da Troller em uma plataforma industrial para veículos eletrificados.

O movimento ganha peso porque não se limita à Chevrolet.

A PACE já monta o Spark EUV e o Captiva EV e deverá receber novos modelos. A operação é feita em regime SKD, com conjuntos importados e montagem final no Ceará. A GM informou, em junho, que a unidade poderá chegar a 50 mil veículos por ano em uma futura expansão. (Chevrolet Brasil News⁠)

A aposta no híbrido
Derivado do chinês Wuling Starlight S, o Captiva PHEV entra em um mercado dominado por modelos chineses. A disputa deverá envolver nomes como GWM Haval H6, BYD Song Plus, GAC GS4 e Toyota Corolla Cross. O conjunto mecânico combina motor 1.5 a gasolina de 106 cv com propulsor elétrico, chegando a 204 cv de potência combinada. Dependendo da configuração, a bateria permite autonomia elétrica de até 60 km ou 130 km.

A produção no Ceará dá à GM uma alternativa para reduzir a dependência da importação de veículos completos e buscar maior competitividade em um segmento no qual as fabricantes chinesas ganharam espaço rapidamente.

De Troller a hub automotivo
A antiga fábrica da Troller, fechada pela Ford em 2021, voltou à atividade industrial em dezembro de 2025, sob o comando da Comexport. O modelo é diferente do de uma montadora tradicional. A PACE funciona como uma plataforma de montagem multimarcas, recebendo kits de veículos produzidos no exterior e realizando a montagem final no Ceará.

Foi exatamente esse modelo que permitiu à GM entrar rapidamente na produção local de elétricos. O investimento anunciado para a operação da Chevrolet gira em torno de R$ 400 milhões. (Sistema FIEC⁠)

Em junho, com o início da produção do Captiva EV, a GM afirmou que a PACE aumentaria em cerca de 50% seu quadro de empregados. A unidade já havia produzido o Spark EUV e passou a montar o Captiva EV como parte da estratégia de expansão da companhia no Brasil. (Chevrolet Brasil News⁠)

E há uma Buick no horizonte

O próximo passo pode ser mais ambicioso.

O Focus Poder revelou, em agosto, que a Buick, tradicional marca premium da General Motors, pode ser a próxima marca a ter veículos montados em Horizonte. A hipótese está relacionada à estratégia da GM de ampliar a presença da Buick e da Cadillac na América Latina, com modelos eletrificados desenvolvidos na China pela parceria entre GM e SAIC. (focuspoder.com.br⁠)

A Buick seria um salto qualitativo para o Ceará.

A marca está posicionada acima da Chevrolet e abaixo da Cadillac dentro do portfólio da GM. Para uma operação de menor volume, o modelo industrial da PACE pode ser particularmente atraente: permite começar com montagem de kits importados, sem exigir imediatamente uma fábrica convencional de grande escala.

Mas há uma ressalva: a montagem da Buick no Ceará não está confirmada pela General Motors. Trata-se, até agora, de uma possibilidade apontada pelo Focus Poder a partir dos movimentos da companhia e da estrutura que está sendo construída em Horizonte. (focuspoder.com.br⁠)

A peça chinesa
A conexão com a China é central nessa nova equação. O Spark EUV, o Captiva EV e o Captiva PHEV têm origem na estratégia da GM com a chinesa SAIC. A própria GM já transformou o Ceará no primeiro local fora da China a produzir o Spark EUV e o Captiva EV. (Chevrolet Brasil News. A MG, também controlada pela SAIC, já contratou a PACE para montar os modelos MG4 e S5, ampliando o caráter multimarcas da unidade.

É uma mudança importante em relação ao passado da fábrica. A estrutura que nasceu para produzir jipes Troller e passou pela Ford agora pode funcionar como uma porta de entrada industrial para produtos asiáticos e marcas globais no mercado brasileiro.

Por que importa
O caso cearense começa a ganhar uma dimensão maior que a simples produção de carros. A antiga fábrica da Troller está se transformando em um hub de eletrificação e montagem multimarcas, capaz de receber diferentes fabricantes e tecnologias. A chegada do Captiva PHEV reforça essa vocação; a possibilidade de uma Buick acrescenta uma marca premium à equação.

Se a estratégia avançar, Horizonte poderá se tornar para a GM uma espécie de plataforma brasileira de lançamento de modelos eletrificados desenvolvidos na China, com capacidade de atender o mercado nacional sem a necessidade, pelo menos inicialmente, de construir uma fábrica convencional para cada marca ou produto.

É uma nova posição para o Ceará no mapa automotivo brasileiro.

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