
O Grupo Gennius, controlador do Habib’s, entrou em recuperação judicial com dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido, protocolado na segunda-feira (24), foi aceito pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. No Ceará, o impacto alcança 10 unidades do Habib’s: oito em Fortaleza, uma no Eusébio e uma em Juazeiro do Norte. As lojas são operadas por franqueados e, segundo o grupo, continuam funcionando normalmente.
O que aconteceu
A recuperação judicial veio depois de uma tentativa de negociação extrajudicial com os credores. Em julho, o grupo havia conseguido uma tutela cautelar de 60 dias para se proteger de cobranças e ganhar tempo para renegociar o passivo. O acordo, porém, não avançou, levando o Gennius a recorrer à recuperação judicial.
O conglomerado atribui a deterioração financeira a uma combinação de fatores: efeitos da pandemia, mudança nos hábitos de consumo, avanço das plataformas de delivery e juros elevados, que aumentaram o custo financeiro da operação.
O tamanho da operação
O processo envolve uma estrutura empresarial ampla. São 10 franqueadoras e holdings, 17 sociedades operacionais, 119 lojas Habib’s, 26 unidades Ragazzo e seis churrascarias Tendall. A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial. O grupo terá 60 dias, sem prorrogação, para apresentar seu plano de recuperação. Caso não cumpra o prazo, o processo poderá ser convertido em falência.
O que muda para as lojas
Por enquanto, não há indicação de fechamento das unidades. O Grupo Gennius afirma que as operações seguem normalmente e que a recuperação judicial faz parte de um processo de reestruturação para preservar a sustentabilidade do negócio.
A Justiça também determinou que credores sujeitos à recuperação não interrompam contratos essenciais apenas por causa do processo, desde que os serviços e insumos sejam pagos à vista. Por outro lado, o juiz rejeitou o pedido do grupo para liberar recebíveis e investimentos oferecidos como garantia aos bancos.
Por que importa para o Ceará
A presença de 10 unidades no Estado dá dimensão local a uma das maiores crises recentes do setor de alimentação fora do lar. O Ceará não está diante, neste momento, de uma onda de fechamento das lojas, mas de uma operação nacional que precisará reorganizar sua estrutura financeira sob supervisão judicial.
O caso também expõe uma mudança no modelo de negócios do fast-food: o consumidor migrou parte do consumo para o delivery justamente quando juros altos pressionaram custos, crédito e endividamento das empresas.
O Habib’s, uma das marcas mais conhecidas do fast-food brasileiro, terá agora de provar que consegue transformar sua escala — 119 unidades próprias/franqueadas no grupo — em capacidade de geração de caixa suficiente para renegociar os R$ 265,2 milhões em dívidas.
No Ceará, a conta chega a 10 lojas, mas a batalha decisiva será travada em São Paulo: é lá que o Gennius terá de convencer os credores de que há um negócio a ser recuperado, e não apenas uma dívida a ser renegociada.







