Depois da chinesa ByteDance agora é a francesa Voltalia que investe em mega data center no Pecém

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Vista aérea da ZPE do Pecém

Projetos da chinesa ByteDance, dona do TikTok, e da francesa Voltalia, que somam mais de R$ 380 bilhões em investimentos previstos, reforçam uma percepção que ganha escala: o Ceará está se configura rapidamente como um polo internacional de data centers.

Não há relação societária ou operacional entre os dois empreendimentos. O que existe é algo mais relevante para o Ceará: empresas de diferentes países e setores estão escolhendo o Pecém para instalar infraestrutura digital de escala global.

A mais recente evidência vem da França.

O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou o projeto da Voltalia Energia do Brasil para a construção de um data center na ZPE de Pecém, com investimento previsto de R$ 181,7 bilhões. A implantação deverá gerar 2.300 empregos diretos, além de 400 postos na fase operacional. O projeto inclui ainda a expansão de fontes eólicas e solares para atender à elevada demanda energética do empreendimento.

A empresa é uma multinacional francesa especializada em energias renováveis, com atuação internacional em geração e infraestrutura energética. A escolha do Pecém para um projeto dessa escala mostra que o interesse não está restrito a empresas de tecnologia.

Antes da França, a China
O movimento chinês é representado pela ByteDance, controladora do TikTok.

A empresa está construindo no Pecém seu primeiro data center na América Latina, em um projeto anunciado com investimento superior a R$ 200 bilhões. A primeira etapa deverá ter cerca de 200 MW de capacidade de TI e demanda energética próxima de 300 MW, com expansão prevista para as fases seguintes.

A estrutura será alimentada por energia renovável, em uma operação que envolve a Omnia, do Pátria Investimentos, e a Casa dos Ventos.

Somados, os dois projetos chegam a mais de R$ 380 bilhões em investimentos anunciados.

É uma cifra que ajuda a dimensionar a transformação em curso, mas não deve ser interpretada como R$ 380 bilhões já contratados ou desembolsados. Os valores correspondem aos investimentos previstos para projetos que serão implantados e ampliados ao longo de vários anos.

A variável que diferencia o Ceará
O atrativo central do Pecém não é apenas a disponibilidade de terreno ou a infraestrutura industrial.

É a combinação entre energia renovável abundante, infraestrutura elétrica, conectividade internacional, ZPE e localização estratégica.

Data centers de grande porte consomem enormes quantidades de energia. No Ceará, a expansão da geração eólica e solar pode acompanhar a expansão da infraestrutura computacional.

Foi justamente esse movimento que a Voltalia começou a estruturar antes mesmo da aprovação de seu projeto.

Em junho, a empresa anunciou a contratação de 322 MW de capacidade de conexão à rede no Pecém e informou estar em negociações avançadas com operadores de data centers. A companhia pretende desenvolver projetos de geração renovável, principalmente eólica, para atender essa demanda.

Não é apenas ByteDance e Voltalia

A importância dos dois anúncios está também no contexto.

A ZPE de Pecém já vinha acumulando projetos de data centers de diferentes empresas. A chegada de novos empreendimentos amplia a possibilidade de formação de um cluster de infraestrutura digital no complexo.

A lógica é semelhante à que transformou determinadas regiões do mundo em polos de data centers: disponibilidade de energia, conectividade, escala territorial, segurança de fornecimento e condições para expansão.

O Pecém reúne boa parte desses atributos.

De exportador de energia a exportador de computação

Há uma mudança conceitual importante.

O Ceará construiu sua vantagem competitiva internacional principalmente em torno da energia renovável. Agora, essa energia pode servir de base para uma atividade de maior valor agregado: processamento e armazenamento de dados.

Em vez de exportar apenas energia ou produtos fabricados com energia, o Estado pode exportar serviços digitais e capacidade computacional.

Na ZPE, isso ganha uma dimensão adicional porque o regime foi concebido justamente para atividades voltadas ao mercado externo.

O governo federal estima que os cinco projetos aprovados nesta rodada do CZPE, no Ceará, Maranhão e Piauí, poderão gerar aproximadamente R$ 40 bilhões anuais em novas exportações a partir de 2029. O conjunto soma R$ 206 bilhões em investimentos previstos.

A aposta que começa a se desenhar

China e França, portanto, não estão fazendo um investimento conjunto.

Estão fazendo investimentos independentes que apontam para a mesma conclusão sobre o território.

De um lado, uma das maiores empresas de tecnologia da China.

De outro, uma multinacional francesa de energia renovável.

Ambas encontraram no Pecém condições para projetos de infraestrutura digital de escala excepcional.

É esse movimento, mais do que qualquer empreendimento isoladamente, que merece atenção.

Por que importa
A disputa mundial por data centers está sendo determinada cada vez mais pela disponibilidade de energia, especialmente energia renovável, pela conectividade e pela capacidade de expansão.

O Ceará reúne esses três ativos em um mesmo território.

O que a China e a França estão sinalizando, cada uma por sua conta, é que o Pecém deixou de ser apenas uma promessa industrial e energética: está se configurando como um polo global de infraestrutura digital.

E, se a sucessão de projetos continuar, o Ceará poderá transformar uma de suas maiores vantagens naturais — o potencial de geração renovável — em uma nova vantagem econômica: ser uma plataforma mundial para processamento de dados.

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