Execuções de títulos extrajudiciais não fiscais cresceram cerca de 60% entre 2020 e 2025, em meio ao avanço do endividamento das famílias

A cobrança judicial de dívidas privadas atingiu um recorde no Brasil em 2025. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que foram registrados 1.239.537 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais no ano passado.
O volume representa um crescimento de aproximadamente 60% em relação a 2020, quando foram contabilizadas 772.645 ações desse tipo. O avanço indica uma maior utilização da Justiça por credores para tentar recuperar valores não pagos.
Endividamento das famílias
O aumento das cobranças ocorre em um cenário de forte endividamento das famílias brasileiras. Em março de 2026, 80,4% das famílias afirmavam ter algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi o maior percentual registrado pela pesquisa.
A pressão financeira também aparece nos dados mais recentes do Judiciário. Entre janeiro e março de 2026, foram abertos 295.541 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais.
Comprometimento da renda
As famílias brasileiras destinam quase 30% da renda mensal ao pagamento de compromissos financeiros.
Considerando a renda acumulada em 12 meses, o endividamento corresponde a cerca de 50% dos ganhos das famílias, evidenciando a pressão exercida pelas dívidas sobre o orçamento doméstico.






