
A economia brasileira registrou retração de 0,4% na passagem de junho para julho, segundo estimativa do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado na quinta-feira (17).
Julho marcou o segundo mês consecutivo de variação negativa. Em junho, a atividade econômica havia recuado 1%.
O Monitor do PIB estima o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que reúne os bens e serviços produzidos no país. Para isso, considera dados da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária.
A análise utiliza ajuste sazonal, procedimento que elimina efeitos de calendário e de sazonalidade para permitir a comparação entre diferentes períodos.
Atividade desacelera
Na comparação com julho de 2025, a atividade econômica apresentou alta de 1,3% em julho de 2026. No acumulado de 12 meses, o avanço é de 1,8%, abaixo dos 2,2% registrados até junho.
“O resultado mostra o enfraquecimento das três grandes atividades econômicas, com retração da agropecuária e estagnação da indústria e dos serviços”, afirma a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa.
Segundo Trece, o ambiente internacional é desafiador devido à elevação das tarifas dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras e ao aumento do preço do petróleo, associado à guerra no Oriente Médio.
No mercado doméstico, a economista aponta os juros elevados e o endividamento das famílias como obstáculos à atividade.
Consumo das famílias
O consumo das famílias, responsável por mais de 60% do PIB, cresceu 0,4% no trimestre móvel encerrado em julho. A taxa é a menor desde o trimestre terminado em outubro de 2025, quando o avanço foi de 0,2%.
A FGV utiliza períodos trimestrais nas comparações por apresentarem menor volatilidade do que as taxas mensais e as ajustadas sazonalmente. Segundo a instituição, o método permite compreender melhor a trajetória da economia.
Investimentos avançam
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos na economia, incluindo a compra de máquinas e equipamentos, avançou 1,4% no trimestre móvel até julho. Foi a quarta expansão consecutiva.
Em valores correntes, o PIB acumulado até julho é estimado pela FGV em R$ 7,853 trilhões.
Indicadores de atividade
O Monitor do PIB é um dos indicadores utilizados para acompanhar o desempenho da economia brasileira.
Outro indicador é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira (16), que apontou recuo de 0,2% em julho ante junho. Em 12 meses, o Banco Central (BC) projeta expansão de 1,5%.
A divulgação oficial do PIB ocorre trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No dia 1º, o instituto informou que o PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre. Em 12 meses, a alta chegou a 1,9%.
O resultado do terceiro trimestre será divulgado em 2 de dezembro.
Expectativa para 2026
O relatório Focus da última segunda-feira (14), elaborado a partir de uma sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, estima alta de 1,89% para a economia brasileira ao fim de 2026.






