Caiado, o plano B; Por Ricardo Alcântara

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Fique claro. A
candidatura de Ronaldo Caiado pelo PSD não tem nada a ver com a grife “terceira via”, entendida como esforço de conciliação dos benefícios de um Estado protetor com o dinamismo da economia liberal.

Caiado não tem, e ninguém que o conhece bem há quarenta anos, como nós, poderia conferir a ele o crachá de candidato de centro. É de direita mesmo – termo que, a princípio, não deveria ofender a ninguém quando separado dos seus fósseis autoritários.

É uma direita com vínculos mais orgânicos com os interesses do setor produtivo e que aposta num processo de “desacreditação” de Flávio Bolsonaro como um radical disfarçado, inexperiente e bichado por um prontuário nebuloso. Uma direita sem B.O., digamos assim.

O pressuposto da candidatura é que os eleitores que não comem o peixe do Lulismo estão comprando carne de segunda – o ideário aloprado do Bolsonarismo – por falta de melhor alternativa. Pois Caiado quer ser o filet mignon do atraso que, claro, não admite representar (a definição é autoral).

Ficou evidente, com a escolha do governador goiano, que Gilberto Kassab rendeu-se à polarização como fatalidade: seria um quadro incontornável e seu PSD vai disputar a primazia de representar o polo conservador em versão autêntica, hoje ainda sob “reserva de mercado” de Bolsonaro e sua trupe miliciana pentecostal.

Nessa perspectiva, a outra alternativa restante no partido, Eduardo Leite, seria, de fato, inadequada. O governador gaúcho é um ramo terminal do antigo PSDB. Tem DNA tucano – a direita que veste jeans e calça mocassim. Significa dizer, seu ideário é convergente. Não é um escravocrata gourmet. Há excesso de contemporaneidade no seu estilo de vida e na maneira afável com que se expressa.

Caiado não. Cai bem uma estrela de xerife em seu figurino macho alfa ruralista, ainda que aprecie ser observado como aquele tipo de patrão mais bonachão, que gosta de resolver as coisas na conversa. Ao contrário de Flávio, tem formação pública consistente e entrega o governo de seu estado com elevados índices de aprovação.

Enfim, com a candidatura de Ronaldo Caiado – mais longevo adversário do Lulismo ainda em atividade e membro, na assembleia constituinte de 1988, da primeira geração do que se convencionou definir como “Centrão” – se aborta, nos laboratórios de experimentação política de Brasília, a última tentativa de formular algo simetricamente distante dos polos direita-esquerda. A polarização venceu. Resta agora saber quem vencerá na polarização.

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus.

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