Disputa de Fortaleza: a política é como nuvem, mas a Covid-19 adicionou a tempestade

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Uma célebre frase de Magalhaes Pinto, que governou Minas Gerais e presidiu a União Democrática Nacional (UDN), define com grande sabedoria a dinâmica da política brasileira, principalmente em época da caça aos votos. “Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo, ela já mudou’’. É a típica sabedoria política mineira, terra das gentes mais conciliadoras do Brasil (“Não são os homens, mas as ideias que brigam”, dizia Tancredo).

Pois é. Nada mais verdadeiro. No passado, a política do Ceará se parecia com a de Minas. Era silenciosa. Nas últimas duas décadas, passou a ser barulhenta. Porém, as nuvens estão mudando de formato o tempo todo e com muito mais velocidade. Tempos digitais. Tempos de Covid. A gentileza perdeu espaço.

A eleição de Fortaleza é um céu carregado de nuvens em constante mudança de formato. Na terra, é como a areia movediça que pode tragar um ou outro desavisado. Estes não faltam. Pululam por aí.

Na loura desposada do sol, a disputa de 2020 já não seria uma eleição simples. Com a Covid-19, as coisas ganharam um grau de complexidade sem referência. Portanto, não há avaliação que seja certeira. Não há projeção confiável nem sequer para o depois de amanhã. Tudo o que parecer concreto tende a se desmanchar no ar.

Sim, a Covid atingiu em cheio grande parte da cúpula da campanha de José Sarto, incluindo o candidato em pessoa. E logo nos primeiros dias da campanha. Nada bom para um concorrente que precisa se fazer conhecido e ter alguma vida independente em relação aos seus fortes padrinhos. São 14 dias, a contar nos dedos das mãos, sem povo.

Há um bom conselho a dar à oposição. Não comemorem nem com seus botões. Não sorriam com o canto da boca. O vírus, que permanecerá entre nós exercendo seu imenso poder de contágio, pode solapar candidaturas em momentos ainda piores que o de Sarto. Na corrida de cem metros rasos do segundo turno, por exemplo, pode ser fatal. No final do primeiro turno, pode tirar as chances de um concorrente.

Ou, surpresa: o eleitor, este ser nunca desalmado, pode se sentir solidário com o acometido pelo vírus maldito. O eleitor, o rei do pedaço, pode acolher o doente em seus braços. Sim, pode! O eleitorado de Fortaleza costuma pregar suas peças e desmoralizar aos mais convictos e presunçosos analistas de plantão.

Portanto, como também dizia o sábio Tancredo Neves, “se Deus não lhe deu a graça da humildade, peça a Ele a da dissimulação e finja que é modesto.” (FC)

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