Tida como “bolsonarista”, a direita partidária opta pela “neutralidade”

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Nos últimos anos o bolsonarismo tratou de fagocitar a direita brasileira, passando a falar por ela, incorporando-a. E a direita partidária, aquela que resiste com muitos votos, deixou-se seduzir, dada a fatura, em votos e em fundo partidário, que a aliança com o bolsonarismo lhe legou.

Vide o caso do PL, que passou de sigla do centrão (que, lá atrás, inclusive governou com Lula) para sigla da (extrema) direita.

Pois bem, já que “a direita saiu do armário”, deixou a vergonha que a Nova República lhe legou e passou a vocalizar-se nas ruas com as mais diversas agendas, por qual razão o senador Flávio Bolsonaro encontra, até esta data, tantas negativas da direita partidária (com voto) para declarar-lhe apoio oficial e compor sua chapa presidencial?

Nesta segunda (03/08), a um só tempo, o REPUBLICANOS, o PODEMOS e o UNIÃO PROGRESSISTA reiteraram, em uníssono, seu retumbante “não” à oficialidade do apoio ao Zero Um na campanha que se aproxima.

Não são quaisquer partidos. O primeiro tem 43 deputados federais e governa dois estados, dentre eles São Paulo; o segundo conta com 27 deputados federais e o terceiro, juntando as duas agremiações, tem 98 deputados federais e governa 07 estados da federação.

É muita gente, muito cabo eleitoral que ficará “livre” nas eleições que se aproximam.

O U-PP rejeitou o tardio pedido de compor como vice, tendo a senadora Tereza Cristina como a indicada – o manda-chuva do partido, Ciro Nogueira, corre risco de não releger-se e busca a marca de, sozinho, eleger 40 deputados federais (para, por certo, servir, a seu modo, a quem for o vencedor); o REP insiste em dizer “não”, criando um probelam ainda maior: a desistência da candidatura do senador Cleitinho ao governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral;

Nos três casos, as siglas enfrentam um “problema”, que é a razão de ser de suas capilaridades nos estados: estão na oposição e no governo. Simples assim; puro cálculo eleitoral.

Logo, nomeada desde 2018 como “bolsonarista” desde o berço, a direita partidária (com voto) não ousará sair às ruas a pedir voto para Flávio, apesar de ter nele sua agenda política concretizada.

Caso Lula ganhe, fará o que tem feito no atual mandato: será base, mas será oposição. Será base de apoio a si mesma, contemplando abertamente, na agenda legislativa, seus interesses, sem que estes tenham sido expostos ao eleitor brasileiro e sem, deles, prestar contas na eleição de 2030.

Sem nenhuma neutralidade, impulsionando eleitoralmente um novo Bolsonaro. Ou um Renan.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

A chapa dos sonhos do governismo no Ceará

Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

Ceará como um dos elos da nova cadeia automotiva mundial e a bad trip da nossa política

O silêncio de Cid Gomes não é dúvida. É método.

Carta a Trump: Mais um grave erro político de Flávio Bolsonaro

Camilo e Luizianne reabrem canal político após anos de distanciamento

A aposta do Ibmec no capital humano cearense

MAIS LIDAS DO DIA

Lula oficializa candidatura à reeleição pelo PT

IA e Deepfake: Veja as novas regras para as eleições 2026

Michelle Bolsonaro é oficializada pré-candidata ao Senado pelo DF

OMNIA triplica programa de qualificação e abre 350 vagas gratuitas para formação profissional no Ceará

STJ mantém penhora de até 40 salários mínimos a entidades sem fins lucrativos

Brasil é o 4º país que mais ampliou turismo internacional

Eleições 2026: Eleitores têm até 20 de agosto para solicitar voto em trânsito

NM2B reúne lideranças em Fortaleza para discutir confiança e estratégia na era da inteligência artificial

Bahia, Pernambuco e Ceará concentram os maiores gastos do país com shows financiados por prefeituras e estados